Armazém que desabou estava 80% cheio e caso expõe falta de silos em São Gabriel
Um dia após o desabamento de um armazém de grãos às margens da BR-163, em São Gabriel do Oeste, novos dados ajudam a dimensionar um dos principais gargalos enfrentados pelo agronegócio no município: a falta de capacidade para armazenar toda a produção de grãos.
A estrutura que cedeu em uma unidade da Cooperoeste, no km 611,5 da rodovia, tinha capacidade para 42 mil toneladas e estava com cerca de 80% de ocupação no momento do acidente.
A informação consta em dados repassados sobre a estrutura.
Apesar dos danos, a cooperativa informou que não houve feridos com gravidade.
O caso ganha outra dimensão diante dos números de armazenagem do município.
Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundesm/Semadesc, aponta que São Gabriel do Oeste possui um déficit de 562.831 toneladas de capacidade de armazenagem.
A produção média dos últimos cinco anos é estimada em 533.907 toneladas de soja e 594.547 toneladas de milho, totalizando 1.128.453 toneladas.
Com o acréscimo de 20% indicado pela FAO para estimar a demanda potencial de armazenagem, a necessidade chega a 1.354.144 toneladas.
A capacidade instalada, entretanto, é de 791.313 toneladas.
A diferença entre a demanda estimada e a estrutura disponível resulta no déficit de 562.831 toneladas.
O município aparece entre os que têm os maiores déficits absolutos de armazenagem em Mato Grosso do Sul.
São Gabriel do Oeste fica atrás de Maracaju, que tem déficit de 1,35 milhão de toneladas, Ponta Porã, com 1,23 milhão, e Rio Brilhante, com 665 mil toneladas.
Armazém estava parcialmente cheio - A estrutura que desabou tinha capacidade para 42 mil toneladas e, segundo os dados divulgados após o acidente, estava com 80% da capacidade ocupada.
A quantidade exata de grãos que estava armazenada no momento do rompimento não foi informada.
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