Quando R$ 5,3 mil é apenas gratificação e R$ 1.621 é o salário de milhões
Há números que explicam um país melhor do que qualquer discurso.
De um lado, R$ 1.621.
Do outro, R$ 5,3 mil.
O primeiro é o salário mínimo que milhões de brasileiros recebem para enfrentar um mês inteiro.
O segundo é o valor médio de uma nova gratificação criada pelo Supremo Tribunal Federal para servidores que já ocupam alguns dos cargos comissionados mais bem remunerados da Corte.
A comparação é incômoda, mas necessária.
O STF instituiu a Gratificação pelo Exercício de Atividades de Alta Complexidade, Técnica e Administrativa, a Gaacta.
O nome é comprido, sofisticado e burocrático.
O efeito sobre o bolso de quem receberá é bem mais simples: a gratificação poderá acrescentar entre 15% e 22,5% à remuneração dos beneficiados, com média estimada em R$ 5,3 mil mensais.
Serão cerca de 276 servidores, e a conta projetada é de R$ 17,5 milhões por ano.
Há um detalhe que torna a situação ainda mais difícil de explicar ao cidadão comum: a verba foi classificada como indenizatória.
Por isso, não sofrerá descontos de Imposto de Renda nem de contribuição previdenciária.
Um servidor no nível CJ-4, por exemplo, já recebe R$ 18.812,93 pela função comissionada.
É perfeitamente legítimo remunerar bem servidores qualificados e pessoas que exercem funções de enorme responsabilidade.
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