Datafolha aponta solidão e dependência digital como causas de abstenção nas eleições
A abstenção nas eleições brasileiras pode estar relacionada a fatores que vão além da desilusão com a política.
É o que aponta a pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha e divulgada nesta semana.
O estudo relacionou a falta de vínculos comunitários, a solidão, a exaustão mental e a dependência digital ao afastamento de parte dos eleitores das urnas.
Segundo a pesquisa, cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de votar nos últimos pleitos.
Entre os fatores associados a esse comportamento estão o que o levantamento chama de uma “epidemia de solidão”, o esgotamento mental e o uso excessivo de televisão e redes sociais.
Leia também Mendonça será relator de ação no TSE contra reajuste do Bolsa Família Deputado Zé Trovão questiona aumento anunciado por Lula a 17 dias da eleição e pede suspensão dos novos valores Justiça Eleitoral já barrou mais de 1,2 mil candidaturas nas eleições de 2026 Apesar do alto número, 888 candidaturas ainda aguardam a apreciação de recursos pelo TSE O estudo também identificou um contraste: enquanto os chamados “desvinculados” apresentam maior afastamento da participação eleitoral, brasileiros com vínculos comunitários mais fortes tendem a considerar a democracia um valor inegociável.
Quem são os ‘desvinculados’ Quase metade dos brasileiros classificados pela pesquisa nesse comportamento, 47%, foi identificada como “desvinculada”.
O grupo reúne pessoas que já deixaram de votar ou comparecem às urnas apenas raramente.
Três em cada dez integrantes desse grupo teriam abandonado completamente o voto em razão dessa falta de vínculo.
Os jovens aparecem de forma significativa entre os “desvinculados”.
Pessoas de 18 a 34 anos representam 44% desse grupo.
De acordo com o levantamento, apenas dois em cada dez jovens afirmam ter uma conexão comunitária e, ao mesmo tempo, sentir-se bem.
Para Nana Queiroz, diretora do Projeto Desapocalíptica, do Avaaz, existe um ciclo que contribui para o distanciamento. — Descobrimos que os “desvinculados” estão em ciclo muito destrutivo — explica a diretora em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ela, pessoas nessa situação recorrem à televisão e às redes sociais como uma forma de lidar com o próprio esgotamento. — Elas buscam a TV e as redes sociais como uma espécie de anestesia para essa exaustão — completa Nana.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.