E assim caminha a sociedade brasileira
O tema da edição 2021 é 'Como os livros podem contribuir para a educação no Brasil e serem agentes transformadores no ensino e na sociedade?' (Foto: Divulgação / Cultura-RJ) Sebastião Pereira do Nascimento* Muitos pensadores universais que tratam da história da humanidade são unânimes em dizer que, desde os primórdios, a vida em sociedade foi marcada por conflitos e contradições.
Devido à própria incompreensão humana, nos dias atuais, esses fatores estão cada vez mais evidentes, à medida que assistimos atônitos aos elevados graus de discórdia e violência na sociedade contemporânea.
Esse cenário valida o pensamento do filósofo Delmo Mattos ao destacar que, a todo instante, somos lembrados de que a indelicadeza e a brutalidade sempre fizeram parte da condição humana.
Esses fatores históricos contribuíram, ao longo do tempo, para que a humanidade atingisse níveis intensos de desgaste e esfacelamento, sobretudo a partir do momento em que se pensou em dividir a sociedade em categorias ou classes sociais, nas quais os grupos humanos são tratados diferentemente entre si e ocupam lugares distintos na estrutura social, contrariando o próprio princípio de igualdade do homem.
Sim, a humanidade começou a sucumbir no momento em que esse processo de heterogeneização social se sobrepôs ao estado de paridade, promovendo um agressivo estado de segregação.
Trazendo isso para a sociedade brasileira, percebemos que a estratificação social no país é profundamente desigual.
Segundo estudos da FGV Social baseados em dados do IBGE, a chamada classe média típica (Classe C) concentra a maior parcela da população, enquanto uma parte expressiva dos brasileiros ainda se encontra nas faixas de baixa renda (Classes D e E).
Por outro lado, o topo da pirâmide (Classes A e B) evidencia a extrema disparidade na distribuição da renda nacional, visto que, isoladamente, a classe A detém a maior parte das riquezas do país.
Dentro dessa engrenagem social, a classe média brasileira constitui a casta com o maior potencial de coerção.
Sempre insatisfeita com a ordem estabelecida pelo paradigma social — exceto quando este lhe convém —, essa camada hostiliza as categorias pobres e bajula as classes altas.
Em outras palavras, funciona como a principal potência motriz que impulsiona as mazelas no país.
Essa classe social, quando exaltada, deseja tão somente ampliar sua carga de benefícios muitas vezes impróprios, utilizando todos os meios possíveis para se apropriar de interesses existencialmente corrompidos.
Portanto, a classe média é uma categoria amorfa que sofre de profunda oligofrenia — déficit de inteligência composto pela tríade: debilidade, imbecilidade e idiotia.
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