João Portinari: “A arte aproxima povos”
De que forma a mostra ajuda o Brasil no esforço diplomático com a China? A arte é uma poderosa ferramenta de soft power .
Ela aproxima povos, cria vínculos e desperta interesses mútuos, de uma forma que a diplomacia não consegue.
A China é nosso principal parceiro comercial, mas os dois povos ainda se conhecem pouco.
Esse Brasil não está nos cartões-postais.
Como essa conexão ocorre em culturas tão diferentes? Meu pai era filho de imigrantes italianos que trabalhavam na lavoura, de origem muito humilde.
A figura do trabalhador do campo está no centro de sua obra.
A China também tem uma forte memória rural e uma valorização histórica do trabalho, um aspecto que cria uma identificação imediata.
Por que o fascínio por esse Brasil permanece? O interesse de Portinari era o ser humano.
Ele nutria profunda empatia pela dor do outro.
Isso ajuda a explicar por que suas pinturas seguem tocando pessoas de diferentes países e gerações.
No fim da vida, escreveu um poema que resume bem sua personalidade: “Todas as coisas frágeis e pobres se parecem comigo”.
Qual o motivo de ele não figurar entre grandes artistas do século XX, embora parte da crítica o ponha no patamar de Picasso? Durante muito tempo, o circuito valorizou somente o que era produzido na Europa e nos Estados Unidos.
Certa vez, na França, me perguntaram se Portinari era o Picasso brasileiro.
Respondi, com ironia, que o Picasso é que estava mais para um Portinari espanhol.
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