Santos Vermelha: a retomada da cidade de luta, memória e resistência
Historicamente marcada pela altivez de trabalhadores e trabalhadoras, pela tradição libertária e pelo pioneirismo nas lutas sociais, a cidade de Santos reafirma sua vocação histórica de resistência.
As urnas do segundo turno das eleições de 2026 registraram um avanço expressivo da votação no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em um movimento de mobilização popular e consciência social, milhares de santistas manifestaram a escolha por um projeto focado na justiça social, na inclusão e no fortalecimento das políticas públicas.
O avanço progressista no município evoca a memória política de Santos e resgata um orgulho construído ao longo de séculos.
A marca de “cidade vermelha” e de vanguarda não nasceu por acaso: foi forjada na resistência ancestral dos povos negros e originários, na bravura de mulheres rebeldes, no suor do cais do porto, na coragem do movimento operário e nas gestões populares que revolucionaram a administração pública brasileira nas décadas de 1980 e 1990.
Foto: Cris Niglio Raízes ancestrais: matriz negra, quilombola e indígena Antes mesmo do surgimento do operariado moderno, Santos já era um território marcado pela busca incessante da liberdade.
A cidade abrigou o histórico Quilombo do Jabaquara, liderado por Quintino de Lacerda, ex-escravizado, que se tornou uma das maiores autoridades abolicionistas e políticas da região no final do século XIX.
O Jabaquara não foi apenas um refúgio para milhares de negros e negras; transformou-se em um polo de acolhimento e resistência comunitária.
Essa herança preta estruturou a cultura viva de Santos, perpetuada no samba, nas religiões de matriz africana e na força do movimento negro local.
Nas franjas da Serra do Mar e nos ecossistemas de mangue da Baixada, a presença dos povos originários, em especial do povo Guarani Mbya, representa a guardiã da Mata Atlântica e do direito originário à terra.
A luta indígena na região traz a exigência do combate à especulação imobiliária e da preservação ambiental, lembrando que a justiça social é indissociável da justiça territorial e do respeito às cosmovisões ancestrais.
A força operária do cais e o pioneirismo de Pagu A identidade política da cidade entrelaça-se visceralmente com o movimento operário e portuário.
Maior porto da América Latina, Santos foi a porta de entrada para os ideais anarquistas, socialistas e comunistas trazidos pelos trabalhadores.
Estivadores, ensacadores, conferentes, bancários e ferroviários construíram redes de solidariedade de classe das mais potentes do país.
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