Reajuste do Bolsa Família não fere lei eleitoral, decide Gilmar Mendes, do STF
O ministro Gilmar Mendes , do Supremo Tribunal Federal (STF) , decidiu nesta sexta-feira (18) que o reajuste concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Bolsa Família a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial é regular e não fere a legislação eleitoral.
Na decisão proferida em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União ( AG U), o magistrado afirma que a utilização do INPC como critério utilizado para o reajuste em 15,04% não viola as proibições previstas na legislação eleitoral e apenas recompõe a inflação.
O ministro também faz questão de diferenciar a correção promovida pelo governo Lula do aumento concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, também às vésperas das eleições de 2022, o qual “previu a ampliação temporária de benefícios, criação de novas prestações, antecipação do calendário de pagamentos e expressivo aumento do número de famílias atendidas — tudo restrito ao período de agosto a dezembro de 2022, ano eleitoral”.
“A providência adotada corresponde, portanto, à atualização periódica dos valores prevista no marco legal que disciplina atualmente a política pública e que já foi reconhecido por esta corte como instrumento de concretização da ordem proferida nestes autos”, diz Gilmar na decisão.
“Além disso, a medida não importa criação de novo benefício, alteração dos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários.
Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária.” Com o reajuste anunciado, o piso do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio do benefício do programa irá para R$ 777.
Segundo cálculos da equipe econômica do governo Lula, o impacto fiscal será de R$5,8 bilhões neste ano e de R$ 22 bilhões no ano que vem.
O governo, que disse que enviará ao Congresso mensagem alterando a lei orçamentária de 2027 para incluir o reajuste, afirmou que a medida não gerará aumento de despesas, mas sim remanejamento, e que há espaço fiscal para conceder o reajuste.
Na quinta-feira, o candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos , pediu ao Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) que suspendesse o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família sob o argumento de que a medida, tomada a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, é ilegal, inconstitucional e “desequilibra definitivamente o pleito”.
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