Pontes caem, vidas se perdem e contribuinte paga a conta
A queda de uma ponte nunca deveria terminar com a contratação de outra ponte.
Quando uma obra pública desaba antes do tempo esperado, é obrigação do poder público descobrir por quê, identificar responsabilidades e buscar o ressarcimento de quem eventualmente projetou ou executou de forma inadequada.
Simplesmente retirar os escombros, lançar uma nova licitação e entregar a conta novamente ao contribuinte significa transformar erro de engenharia, se comprovado, em prejuízo coletivo.
Mato Grosso do Sul tem razões de sobra para fazer essa discussão.
Em pouco mais de uma década, quatro pontes de concreto de grande repercussão desabaram no Estado: sobre o Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna; Rio dos Velhos, em Jardim; Rio do Peixe, em Rio Negro; e, agora, Rio Taquari, em Coxim.
O último episódio atravessou a fronteira do prejuízo material e terminou em tragédia: um caminhoneiro morreu depois que a ponte João Wenceslau Leite de Barros desmoronou na quinta-feira, 13 de agosto.
A ponte de Coxim havia sido inaugurada em novembro de 2009.
Tinha 168 metros de extensão e custou cerca de R$ 2,1 milhões em valores da época.
A estrutura estava na MS-168, conhecida como Estrada Taquari, ligação entre as MS-214 e MS-423.
As causas do desabamento ainda estão sendo apuradas e, portanto, seria irresponsável antecipar culpa de empresa, projetista ou agente público.
Mas investigar profundamente não é opção.
É obrigação.
Há precedentes preocupantes.
A ponte sobre o Rio Santo Antônio, na MS-382, em Guia Lopes da Laguna, caiu em janeiro de 2016, menos de quatro anos depois de inaugurada.
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