3ª fase da Operação Carbono Oculto é deflagrada com mandados de busca e apreensão
Um diretor do Banco Genial e um executivo ligado ao Master são alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Crédito Oculto e deflagrada nesta quinta-feira.
Os agentes saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão em 29 endereços de sete estados e aprofundar uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, uma das maiores do país nesse setor.
A investigação aponta a participação central de executivos do mercado financeiro no esquema de lavagem.
Entre os alvos de busca nesta quinta, que incluem 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas, estão endereços ligados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial; seus irmãos, André e Bruno Tupinambá; e ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos.
Freixo assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o Caso Master.
Apontado como operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Mineiro era descrito como “pioneiro nas Bahamas” em razão de estruturas offshore que teria montado no país caribenho.
Na delação, ele disse que realizou sete remessas para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025, numa estrutura de aportes para o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O fundo é administrado por Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e foi usado para o financiamento da obra.
Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o grupo investigado teria articulado uma estrutura financeira e societária complexa para assumir o controle da distribuidora e ocultar patrimônio por meio de fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras consideradas “atípicas”.
As apurações miram movimentações nos fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01 e nas empresas Berna Holdings Ltda e Branson Holdings Ltda — constituídas poucos meses antes da compra da Terrana.
Com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, informações do Banco Genial e mensagens extraídas em celulares apreendidos em outras fases, o MPSP sustenta que mais de R$ 120 milhões teriam circulado por companhias — como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi — e “contas de passagem” antes de chegarem à estrutura de aquisição da Terrana.
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