Estudo com camundongos aponta que se abster de álcool pode elevar risco de posterior consumo compulsivo
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Professor e chefe do Departamento de Neurobiologia da Escola de Medicina Chan da UMass, no Massachusetts, é neurocientista com foco em estresse e dependência
Instrutora de neurobiologia na Escola de Medicina Chan da UMass, Massachusetts. Pesquisa a caracterização da plasticidade induzida pelo álcool no cérebro
Para alguns indivíduos, a abstinência de álcool pode, posteriormente, aumentar o consumo compulsivo da substância. Nossa equipe de pesquisa descobriu que, em camundongos abstêmios, esse desejo de beber é precedido por alterações na atividade de uma determinada região do cérebro , apontando para possíveis novas oportunidades para identificar e ajudar as pessoas mais vulneráveis à recaída.
Embora a abstinência alcoólica esteja associada a melhores resultados de saúde , pesquisadores especializados em dependência teorizaram que as alterações cerebrais que ocorrem durante a abstinência podem aumentar o risco de recaída de uma pessoa.
Para explorar essa hipótese, estudamos como camundongos se comportavam após lhes termos dado acesso voluntário ao álcool por um longo período, seguido por um período de abstinência forçada.
Descobrimos que um subgrupo dos camundongos desenvolveu ingestão de álcool resistente à aversão –ou seja, eles passaram a beber álcool mesmo com a quinina que adicionamos para torná-lo cada vez mais amargo. Além disso, em comparação com aqueles que não passaram pela abstinência forçada, esses camundongos consumiram quantidades ainda maiores do álcool extremamente amargo. Esses resultados sugerem que há possíveis desafios físicos associados à abstinência que contribuem para recaídas no transtorno por uso de álcool.
Em seguida, monitoramos a atividade de um conjunto específico de células em uma região do cérebro conhecida como núcleo do leito da estria terminal, ou BNST, na sigla em inglês. Pesquisadores já haviam constatado anteriormente que essa pequena estrutura está fortemente implicada nos sintomas do transtorno por uso de álcool, como ansiedade e depressão .
Descobrimos que permitir que camundongos abstinentes voltassem ao ambiente onde o álcool estava anteriormente disponível os levaria a tentar beber, mesmo que o bico contivesse apenas água. Essas tentativas estavam associadas à atividade no BNST. Camundongos abstinentes que haviam desenvolvido o gosto por álcool muito amargo apresentavam mais do que o dobro da atividade nessa área do cérebro em comparação com camundongos que não passaram por abstinência forçada.
É importante ressaltar que observamos atividade no BNST mesmo antes de darmos aos camundongos em abstinência acesso ao álcool amargo. Essa descoberta sugere que talvez seja possível identificar pessoas em risco de recaída por meio da análise da atividade do BNST quando alguém tem acesso ao álcool.
O uso indevido de álcool é um dos principais desafios de saúde pública nos Estados Unidos e em grande parte do mund o.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Equilíbrio e Saúde.