Itamaraty recebe secretário-geral da ASEAN em visita inédita ao Brasil
Kao Kim Hourn está em Brasília nesta terça-feira (18) e foi recebido pelo chanceler Mauro Vieira; bloco asiático já é o quinto maior parceiro comercial do Brasil
Direto de Brasília — Estive no Palácio Itamaraty nesta terça-feira (18) junto com a comitiva do Portal ND Mais , onde fomos recebidos pelo embaixador Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Relações Exteriores. Durante a visita, acompanhei também a chegada do secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn.
A passagem é a primeira visita de um secretário-geral da ASEAN ao Brasil. Kao Kim Hourn está no país a convite do governo brasileiro e cumpre agenda entre os dias 17 e 22 de agosto.
Em Brasília, o secretário-geral foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para uma reunião de trabalho. Na mesa estão temas como comércio e investimentos, energia, segurança alimentar, biodiversidade e cooperação para o desenvolvimento.
A aproximação acontece em um contexto importante, diante das tarifas americanas impostas ao Brasil. A ASEAN reúne 11 países do Sudeste Asiático e, em 2025, o comércio brasileiro com os integrantes do bloco chegou a US$ 38,4 bilhões.
O número já coloca a associação como o quinto maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.
Além disso, o Brasil teve superávit de US$ 10,3 bilhões no comércio com os países da ASEAN em 2025. Segundo o Itamaraty, esse resultado respondeu por 15% do superávit comercial brasileiro no período.
Desde 2020, o intercâmbio comercial com o bloco cresce, em média, cerca de 15% ao ano.
O governo brasileiro tenta ampliar sua presença justamente em uma das regiões que mais crescem na economia mundial e diversificar parceiros num momento em que comércio exterior e relações internacionais enfrentam momentos instáveis.
De certa forma, é uma maneira do governo brasileiro sinalizar para o governo americano que não estamos de braços cruzados diante da crise diplomática entre os dois países. É o movimento do Itamaraty indo em busca de novos horizontes comerciais.
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