O nó estratégico da saúde: a desconexão entre o novo usuário e um modelo suplementar ultrapassado – por Vitor Asseituno
O debate sobre a saúde no Brasil costuma girar historicamente em torno dos mesmos gargalos estruturais: custos crescentes, barreiras de acesso, filas prolongadas e a constante incerteza sobre a sustentabilidade financeira.
No entanto, uma transformação silenciosa e profunda na ponta do uso vem recebendo consideravelmente menos atenção do que deveria do mercado e dos gestores do setor: o brasileiro está mudando a sua relação com a saúde, a prevenção e o bem-estar.
Segundo dados recentes do Datafolha, 53% da população com 16 anos ou mais afirma praticar atividade física de forma regular.
O monitoramento contínuo da qualidade do sono, a busca por uma alimentação mais equilibrada e a utilização sistemática de dispositivos conectados e aplicativos para acompanhar indicadores biológicos tornaram-se hábitos cotidianos para parcelas crescentes da sociedade.
Trata-se de uma verdadeira guinada preventiva por parte do indivíduo.
Mas apesar dessa mudança de comportamento do cidadão, a estrutura fundamental do setor de saúde permanece presa a uma lógica profundamente reativa, um modelo desenhado no século passado para tratar a doença instalada, e não para promover ativamente a saúde.
A conhecida frase “As empresas têm clientes do século XXI, funcionários do século XX e ferramentas do século XIX”, lembra muito a estrutura e maneira de trabalhar no setor de saúde ainda em 2026.
Essa desconexão entre o novo comportamento do consumidor e a manutenção de um modelo assistencial ultrapassado gera uma pressão crescente sobre a cadeia de custos, afetando de maneira significativa a saúde suplementar.
Não por acaso, a sustentabilidade financeira do ecossistema passou a ocupar um lugar central na agenda estratégica das diretorias executivas.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que, embora as operadoras tenham encerrado 2025 com lucro líquido consolidado de R$ 24,4 bilhões, as despesas operacionais e assistenciais superaram R$ 361,2 bilhões no mesmo período.
Os números evidenciam o desafio de equilibrar qualidade assistencial, ampliação do acesso e sustentabilidade econômica diante de uma demanda que cresce de forma contínua.
O ponto central, porém, é que esse desafio não será resolvido apenas com mais recursos financeiros, mas com uma gestão mais inteligente do sistema.
O Brasil não precisa reinventar sua arquitetura de saúde.
Precisa fazer com que pilares já consolidados (como a gestão baseada em dados, a prevenção e o uso estratégico da tecnologia) deixem de ser iniciativas pontuais e passem a orientar, de forma consistente, a tomada de decisão em toda a cadeia assistencial.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.