Aos 79 anos, mineiro mantém viva paixão pelos carrinhos de rolimã
O barulho de rodas de madeira e aço contra o asfalto, as reuniões de famílias em torno de uma diversão que atravessa gerações e a lembrança de uma infância longe das telas de celular continuam vivos na rotina de José Maurício Ribeiro, de 79 anos.
Há cinco anos, o aposentado transformou a cobertura da própria casa, no Bairro Boa Vista, na Região Leste de Belo Horizonte, em uma oficina onde fabrica carrinhos de rolimã gratuitos para familiares e amigos.
Apaixonado pela brincadeira desde os 11 anos, ele mantém viva uma tradição que resistiu ao tempo, saiu das ruas da capital mineira e volta a ganhar espaço em eventos e encontros espalhados pela cidade.
Quem entra na oficina encontra um cenário que mistura marcenaria, mecânica e memória afetiva.
Ferramentas penduradas, pedaços de madeira organizados, rolamentos separados e projetos impressos em folhas presas a uma prancheta ocupam o espaço onde José Maurício passa parte dos dias.
Aos 79 anos, José Maurício Ribeiro, faz carrinhos de rolima na sua casa como passatempo.
Ele presenteia seus filhos e netos, alem de emprestar os carrinhos para seus amigos Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press Muito antes de transformar a cobertura da casa dele em uma fábrica, José Maurício já construía carrinhos de rolimã pelas ruas do Bairro Santo Efigênia, também na Região Leste da capital mineira.
Foi ali, ainda criança, que ele descobriu a paixão pelas descidas em alta velocidade.
Naquela época, a brincadeira reunia dezenas de crianças nas ladeiras da cidade.
Sem celulares, videogames ou internet, os carrinhos era uma das principais formas de diversão entre os jovens.
Aos 11 anos ele construiu sozinho o primeiro carrinho de rolimã, sem ajuda direta de adultos, mas com conhecimento adquirido com o pai, Geraldo Felipe Ribeiro, e o avô, João José da Silva.
"Meu avô era marceneiro e meu pai era caminhoneiro.
Então, desde cedo eu aprendi a lidar com ferramentas, madeira e peças mecânicas.
Sempre ajudava meu pai mexendo no caminhão, então já tinha prática com ferramentas”, relembra.
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