Este anfíbio pré-histórico aterrorizava fundo do oceano há 237 milhões de anos
Quando pensamos em anfíbios, como sapos e rãs, costuma vir à mente a ideia que o sal é seu pior inimigo: uma vez que usam a pele para respirar, o sódio pode obstruir os poros e impedir as trocas gasosas necessárias.
Mas, há 237 milhões de anos, no início da era dos dinossauros, havia uma espécie de anfíbio que vivia no fundo do mar e causava um verdadeiro terror entre suas presas.
Pesquisadores encontraram dois esqueletos quase completos do período Triássico Superior na província de Guizhou, na China, que antes era coberta pelo oceano e ficava a centenas de quilômetros de grandes massas de terra, mas ficaram surpresos ao perceberem que não se tratava de um peixe nem de um réptil.
Os resultados foram publicados na revista Nature Ecology & Evolution, nesta segunda-feira (26).
O mais curioso da descoberta é que, hoje, menos de 2% das mais de 8 mil espécies de anfíbios conhecidos são resistentes ao sal.
Nenhuma delas, inclusive, vive em ambientes completamente marinhos.
Como o anfíbio conseguiu viver no mar? Chamada de Gerrothorax maritimus, a espécie tinha uma característica incomum para anfíbios: uma armadura óssea, que provavelmente era usada na defesa de predadores.
Além da defesa, essa estrutura também foi muito importante para que o animal conseguisse viver no fundo do mar.
Carcaça óssea foi fundamental para a alimentação e respiração da espécie Ryosuke Motani/ UC Davis/Reprodução Hoje, a pele é o principal meio de respiração e hidratação dos anfíbios.
Ryosuke Motani, autor correspondente do estudo, explica, em comunicado, que "essa pele é permeável, o que permite que os animais a utilizem para múltiplos propósitos, como respirar e ingerir água.
Então, os anfíbios não bebem nem respiram pela boca, pois conseguem fazer ambas as coisas através da pele." É por esse motivo que sapos, rãs e pererecas vivem próximas a lagos ou outras fontes de água doce.
No caso do G.maritimus, sua carcaça óssea ajudou com que a pele não tivesse tanto contato com o sal, mas, ao mesmo tempo, não permitiu com que a espécie pudesse respirar por ela.
A respiração era feita por brânquias, comuns no gênero Gerrothorax, que filtravam a salubridade da água.
Além disso, os indivíduos bebiam água pela boca, e o sal era filtrado no próprio sistema digestivo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.