Sigilo da fonte: Dino diz que pessoas com “mãos sujas de sangue” querem “dar aula de liberdade” ao STF
O ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a se manifestar sobre o caso envolvendo o blogueiro Luís Pablo e o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim e fez, desta vez no plenário da Corte, uma dura reação às críticas dirigidas ao Supremo sob a alegação de uma suposta violação do sigilo da fonte.
Durante a sessão desta quinta-feira (13), Dino lembrou que ele e integrantes de sua família foram alvo de monitoramento no Maranhão e comparou o episódio à perseguição sofrida por ministros do Supremo durante a ditadura militar.
“É curioso que antes de mim só houve um ministro do Supremo que foi seguido e teve a sua família seguida.
Só um, antes de mim.
Foi de novo na longa noite da ditadura”, afirmou.
Na sequência, Dino elevou o tom ao falar daqueles que, segundo ele, carregam um passado ligado ao regime ditatorial e agora pretendem dar lições sobre liberdade ao STF.
“Eu aludo sempre à ditadura por uma razão.
Há pessoas que têm as mãos sujas da tortura, que têm as mãos sujas de sangue daqueles que foram vítimas desse regime despótico e, de repente, sem retratação, querem dar aula de liberdade para o Supremo”, disparou.
Para o ministro, o episódio exige que o debate público seja feito levando em conta a dimensão histórica e todas as garantias previstas pela Constituição.
“É para se ter humildade.
O debate público exige essa compreensão histórica para que todos nós preservemos o conjunto de valores constitucionais: a liberdade da imprensa, o sigilo da fonte, a independência judicial, que obviamente não pode ser alvo de intimidação”, afirmou.
Assista à fala do ministro: https://x.com/rogeriotomazjr/status/2088055081665020387 Dino fala em intimidação e cita exposição de seus filhos Ao tratar especificamente do monitoramento de sua família, Dino chamou a atenção para o efeito intimidatório produzido pela obtenção e divulgação de informações sobre os deslocamentos de parentes de um ministro do Supremo.
Dirigindo-se ao ministro Kassio Nunes Marques, ele pediu que o colega imaginasse a situação de um pai diante da exposição dos próprios filhos.
“Imagine, ministro Cássio, um pai […] ter fotos dos seus filhos expostas como uma espécie, talvez, de mensagem: ‘Olha, sabemos quem são eles, onde eles vão, como vão’”, declarou.
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