De Bíblia a Apple Watch: candidatos ao Senado direcionam anúncios a públicos específicos na Meta
Anúncios de Vander Loubet e Alexandre Curi localizados pelo g1 na Biblioteca de Anúncios da Meta.
As peças não foram indicadas pelo NetLab UFRJ e não podem ser associadas a interesses específicos, pois a plataforma divulga esse dado apenas no nível do anunciante Reprodução/g1 De Bíblia e policiais militares a vagas de emprego e Apple Watch, candidatos ao Senado estão recorrendo aos interesses que a Meta associa a seus usuários para tentar fazer seus anúncios chegarem a públicos específicos no Facebook e no Instagram.
Entre as 24 candidaturas ao Senado que usaram esse tipo de direcionamento, as 12 classificadas como oposição ao governo federal fizeram 312 escolhas de interesses.
As outras 12, reunidas pelo estudo na base governista, fizeram 208.
Os dados fazem parte do levantamento “O eleitorado sob medida”, do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab UFRJ), que analisou como candidaturas ao Senado direcionaram anúncios a públicos específicos nas plataformas da Meta.
Funciona assim: as campanhas podem pedir à Meta que mostre seus anúncios com mais frequência para pessoas que a plataforma associa a determinados interesses, comportamentos ou perfis demográficos.
Alguém identificado, por exemplo, como interessado em Bíblia, agronegócio ou produtos da Apple pode, por causa disso, virar público-alvo de uma campanha e ter mais chance de receber determinada propaganda. 🔎 Isso não significa que só o público selecionado verá o anúncio nem que o interesse corresponda a uma característica real.
“Apple Watch”, por exemplo, indica apenas que a Meta associou aquele usuário ao tema.
Agora no g1 O relatório identificou 294 categorias de segmentação, reunidas em 13 temas.
A análise mostra estratégias distintas entre candidatos da base governista e da oposição.
Entre os governistas, a segmentação se concentrou sobretudo em política (tema usado por 8 das 12 candidaturas analisadas) e também em interesses ligados a ativismo, educação e sociedade civil organizada.
Já na oposição, os anúncios buscaram públicos a partir de um leque mais variado de interesses, incluindo agronegócio, militarismo, família e consumo.
A divisão entre base governista e oposição foi feita pelo NetLab a partir de declarações e posicionamentos públicos dos candidatos e serve para comparar os grupos, sem detalhar as alianças de cada estado.
Segundo Débora Salles, coordenadora-geral do NetLab UFRJ, a diferença no número de escolhas não significa que a estratégia da oposição tenha sido mais sofisticada ou eficiente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Política.