Campanha de Lula comemora repercussão, mesmo que negativa, de Bolsa Família
Monitoramento de redes interno da campanha mostra nesta sexta-feira (18) que o debate público começa a mudar de eixo, arrefecendo a penosa discussão sobre a crise no Supremo Tribunal Federal e Banco Master.
O tópico STF/Master ainda domina as conversas, mas o bolsonarismo reduziu o volume da gritaria sobre Alexandre de Moraes e começou a falar de Bolsa Família e bets.
Mais de 60% das menções ao programa social são negativas, sobretudo ao relacionar a medida ao calendário eleitoral. Mas essa é a boa notícia para o PT: o assunto voltou a ser campanha eleitoral.
"A crise do STF já interferiu demais no processo eleitoral e monopolizou o debate", avalia um dos principais aliados de Lula na campanha.
"Para o bem do debate eleitoral, é preciso falar de projetos para o país, até agora secundarizados, e deixar que o processo do STF seja retomado depois das eleições . E isso pode beneficiar o próprio debate do processo do STF, uma vez que esteja livre das influências e injunções ou ilações eleitorais", conclui.
A mudança na pauta também acontece fora da redes, com candidatos, atores do mercado e da política comentando a decisão de reajustar o Bolsa Família.
Outro assunto que ganhou relevância é a proposta de acabar com jogos online e reduzir apostas esportivas, em preparação pelo governo, como revelou o UOL. Lula ainda prometeu caneta emagrecedora de graça no SUS.
Por isso, alguns dos principais auxiliares de Lula defendem a solução encaminhada pelo ministro Flávio Dino no Supremo ao pedir vista e suspender por até 90 dias o julgamento de Alexandre de Moraes por suas relações com o Banco Master.
No Palácio do Planalto, o ministro José Guimarães, de Relações Institucionais, vocalizou publicamente essa opinião. Mas ela é compartilhada pela cúpula do PT, ainda que com reservas ao tom de Dino na sessão.
Há, no entanto, divergências profundas sobre o encaminhamento dessa crise no governo.
Publicamente, quem encabeçou esse pensamento foi o ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo.
"Nós temos que aproveitar essas três semanas antes das eleições para tentar passar o país a limpo, diante das informações já disponíveis e ainda não conhecidas do grande público", declarou Haddad, no dia seguinte ao julgamento.
Ele defende que as investigações dos ministros citados nas conversas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, "depurem" a opinião pública e informem o eleitor para a tomada de decisão.
Outros ministros de Lula atuam reservadamente para convencer o presidente do Supremo, Edson Fachin, a marcar uma sessão de análise conjunta do envolvimento de Alexandre de Moraes e de André Mendonça no caso Master.
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