Novo corregedor nacional de Justiça toma posse e pede de juízes resistência a pressões e conveniências
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O novo corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves , 72, defendeu nesta terça-feira (25), durante discurso na posse do cargo, que magistrados devem "resistir às pressões e não permitir que o poder, o medo e as conveniências se sobreponham ao dever de realizar a justiça".
Ele deu a declaração ao fazer referência ao trecho da obra "Oração aos Moços", discurso escrito por Rui Barbosa para formandos de direito, em que o jurista afirma que "todo o bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez".
"Nessas palavras, não encontro apenas um elogio à magistratura, mas uma exigência dirigida a cada julgador: preservar a consciência, resistir às pressões e não permitir que o poder, o medo e as conveniências se sobreponham ao dever de realizar a justiça", disse.
Benedito Gonçalves, que é ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ficará à frente da Corregedoria até 2028. Ele substituiu Mauro Campbell Marques, que tomou posse como vice-presidente do STJ na última quarta (19).
O órgão no CNJ é responsável, por exemplo, por receber reclamações e denúncias de irregularidades por parte de juízes e também realizar sindicâncias, inspeções e correições, quando houver suspeitas de infrações graves.
Em seu discurso, Benedito Gonçalves evitou abordar temas considerados espinhosos para o Poder Judiciário, como desvios de condutas na magistratura, o pagamento de supersalários ou a proposta de criar regras para a participação de juízes em eventos.
Ele defendeu que "orientar antes de sancionar" e "prevenir antes de reprimir" não significa tolerar o descumprimento das regras da magistratura e afirmou que, no cargo, pretende unir rigor técnico com diálogo.
"Nosso CNJ foi criado após muitos debates sobre um controle de gestão do Judiciário. O exercício desta Corregedoria também deve estar orientado pela clareza e pela atenção à realidade concreta. Mais do que fiscalizar procedimentos, cabe à Corregedoria contribuir para que a Justiça seja acessível, eficiente e verdadeiramente comprometida com a sociedade", disse.
O novo corregedor também afirmou que a transformação tecnológica é um "desafio incontornável" dos dias atuais. Segundo ele, a ferramenta pode contribuir para tornar o trabalho mais eficiente, mas nunca poderá substituir a presença e nem afastar o juiz da realidade local.
"Lugar de juiz é na comarca, na jurisdição, no foro, na unidade judiciária e próximo à sociedade que depende do serviço", disse.
"Os recursos devem reduzir tempos improdutivos, revelar gargalos e qualificar a gestão, mas a tecnologia é instrumento, não substituto da responsabilidade humana. A inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais.
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