Governança ambiental e a urgência da transformação
O espírito do nosso tempo exige algo além da consciência da crise. Exige inteligência pública ambiental. Ciência para compreender, participação social para construir e legitimar escolhas
Hegel nos deixou uma ideia particularmente poderosa para compreender os momentos de transformação: é preciso saber ler o espírito do tempo. As sociedades mudam quando se tornam capazes de reconhecer as contradições de seu próprio momento histórico e percebem que as estruturas existentes já não respondem à realidade que se apresenta.
Estamos diante de um desses momentos. Nunca a humanidade dispôs de tanto conhecimento sobre as condições ambientais que sustentam sua própria existência. Conhecemos o funcionamento do sistema climático, acompanhamos por satélites a devastação das florestas, medimos a concentração de gases de efeito estufa, monitoramos oceanos, rios e aquíferos e conseguimos projetar, com crescente precisão, os riscos associados ao aquecimento global.
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Ao mesmo tempo, os sinais deixaram os relatórios científicos e passaram a fazer parte da experiência cotidiana. Ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais de comportamento extremo, chuvas torrenciais, inundações e perdas de biodiversidade revelam uma realidade que já não pode ser tratada como hipótese sobre o futuro.
É nesse ponto que a reflexão de Hegel encontra, por outro caminho, uma dimensão darwiniana. Darwin demonstrou que, diante das mudanças do meio, a capacidade de adaptação constitui fator decisivo para a permanência das formas de vida.
As sociedades humanas, porém, apresentam uma condição singular: transformam o meio, muitas vezes para além de sua capacidade de suporte, e passam a sofrer as consequências dos desequilíbrios que elas próprias provocam, sem dispor de mecanismos institucionais suficientemente eficazes para corrigir seus rumos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.