Tesouro suspende leilões em meio à tensão no mercado após eleição de Lula
O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (26) o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados à inflação e prefixados, previstos para terça-feira (27) e quinta-feira (29), respectivamente.
A decisão ocorre no primeiro dia útil após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à expectativa de forte volatilidade no mercado financeiro brasileiro, com investidores atentos ao risco de acionamento do circuit breaker , mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa em momentos de quedas acentuadas.
Inclusive, diante desse cenário, a B3 anunciou mudanças excepcionais nos limites de oscilação dos contratos futuros de dólar e Ibovespa para o pregão desta segunda-feira.
As mudanças ocorrem em meio à reação negativa dos ativos brasileiros negociados no exterior após o resultado eleitoral.
O movimento reflete a revisão das expectativas dos investidores para a política econômica e fiscal do próximo mandato.
Pelas regras da B3, uma queda de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior provoca a interrupção das negociações por 30 minutos.
Caso o índice recue 15%, após a retomada, ocorre uma segunda paralisação, de uma hora.
Uma queda de 20% permite à Bolsa determinar uma suspensão por prazo a ser definido.
A alteração dos limites dos contratos futuros não modifica essas regras de circuit breaker do mercado à vista.
Tesouro mantém leilão de títulos atrelados à Selic Apesar do cancelamento das ofertas de títulos prefixados e indexados à inflação, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro ( LFTs ), papéis remunerados pela taxa Selic , previsto para terça-feira (27).
As condições da operação serão divulgadas no site do Tesouro Nacional, seguindo as mesmas regras dos leilões ordinários.
“O Tesouro Nacional continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros ativos relacionados”, informou o órgão em comunicado.
Em momentos de maior volatilidade, investidores podem exigir taxas mais elevadas para financiar o governo, aumentando o custo de emissão de novos títulos públicos.
O cancelamento das ofertas permite ao Tesouro evitar a contratação de dívida prefixada ou indexada à inflação nas condições de mercado dessas datas.
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