A mineração pode se aproximar do fim; o território, não
Nos últimos dois meses, passei boa parte do tempo entrando e saindo de minas, antigas áreas industriais, projetos de reconversão e cidades que, em algum momento, precisaram responder a uma pergunta que nós, no Brasil, ainda fazemos pouco: o que acontece com um território quando a mineração deixa de ocupar o lugar que teve durante décadas? Foram dez países, entre América do Norte e Europa, nessa etapa das gravações de “Um Futuro Possível”, série documental que idealizei e co-produzimos com a Dromedário Filmes, para investigar diferentes caminhos construídos por territórios minerários.
A viagem não começou para me convencer de que é preciso planejar o pós-mineração antes do fechamento de uma mina.
Essa é uma missão que já escolhi abraçar.
O que eu queria ver de perto era como outros lugares haviam enfrentado esse desafio, quais escolhas fizeram e, principalmente, o que poderíamos aprender com seus acertos e erros.
Em Sudbury, no Canadá, desci quase dois quilômetros para conhecer o SNOLAB, laboratório instalado dentro de uma mina de níquel em operação.
Enquanto a atividade mineral mantém sua rotina, cientistas de diferentes países estudam neutrinos, matéria escura e algumas das questões mais complexas da física.
No País de Gales, antigas estruturas ligadas à extração de ardósia abriram espaço para turismo e aventura.
Em outros pontos da viagem, encontrei cultura, tecnologia, educação e novas atividades produtivas em territórios cuja história econômica esteve, por muito tempo, diretamente ligada à mineração.
Os exemplos impressionam.
Ainda assim, depois de tantos quilômetros, voltei ainda mais convencido de que seria um erro retornar ao Brasil com uma lista de projetos para copiar.
O aprendizado mais importante está na lógica por trás deles: territórios que começaram a pensar no futuro enquanto ainda tinham recursos, infraestrutura, conhecimento e capacidade de fazer escolhas.
É essa lógica que considero decisiva para os municípios minerários brasileiros.
Se sabemos que a mineração tem um ciclo, precisamos aproveitar o período em que ela gera mais riqueza e arrecadação para construir condições capazes de permanecer quando sua participação na economia mudar.
Esperar a exaustão da atividade para iniciar essa conversa significa começar justamente quando o território terá menos recursos e menos margem de decisão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.