A morte de Jason Arday e o frágil lugar de pessoas negras em espaços de poder acadêmicos
Um dos lugares mais solitários do mundo para uma pessoa negra é a docência acadêmica.
Melhor: um dos lugares mais solitários do mundo para uma mulher negra é a docência acadêmica .
Eu poderia refinar ainda mais esses dados – trazer para eles pessoas indígenas, transgêneras etc – e vocês sabem onde eu iria chegar.
Antes que a tropa de choque da relativização, da meritocracia ou do “é tudo vitimização/mimimi” se levante, ofereço alguns números divulgados em pesquisas variadas.
A primeira é o Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep.
A última edição mostra que 60,9% dos docentes em exercício na educação superior brasileira se declararam brancos, enquanto 19,6% disseram ser pardos e apenas 3,2%, pretos.
Amarelos são 1,1%, enquanto indígenas representam apenas 0,4%.
Outros 14,8% não declararam cor/raça.
Os dados (gráficos 33, 34 e 35) divulgados este ano foram coletados em 2024.
Quando vamos especificamente para a pós-graduação, área de maior prestígio e com mais acesso a recursos e fomentos, a disparidade é ainda mais intensa.
Uma pesquisa divulgada em 2023, realizada pelo Instituto Serrapilheira em parceria com o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa, o Gemaa, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ, mostra o tamanho da desigualdade.
Os dados são especificamente das áreas de ciências exatas, da terra e biológicas, onde a presença de docentes brancos é 12 vezes maior que a de pretos, pardos e indígenas.
Eles representam 90,1% dos professores dessas áreas.
Pretos, pardos e indígenas somam 7,4%; amarelos, 2,5%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.