Vamos zelar por ele
O pior dos nossos mundos se dará se o nosso STF continuar politicamente ativo e ainda mais polarizado.
A lógica dos três poderes, como previu o Barão de Montesquieu, se manterá, ou o nosso Poder Judiciário desaparecerá? E se não desaparecer, um quarto poder virá a ser instituído na nossa já empobrecida democracia? A pergunta acima faz todo o sentido e, para tanto, basta pegarmos as decisões de quatro dos seus ministros — dois de cada lado — para constatarmos que os mesmos vêm se comportando partidariamente: dois como defensores do lulismo e dois como defensores do bolsonarismo.
Esta tem sido a avaliação da grande maioria de nossa população.
Reporto-me a quatro deles porque são eles próprios que vêm fazendo questão e não têm conseguido se revelar isentos nem apartidários, ou seja, demonstram que não deixaram de ser apoiadores ou opositores dos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro.
Vamos nominá-los: Alexandre de Moraes e Flávio Dino, defensores do lulismo e opositores de Flávio Bolsonaro; e os outros dois, André Mendonça e Nunes Marques, defensores de Flávio Bolsonaro e opositores do presidente Lula.
Pior ainda: no curso do próximo quadriênio, quatro novos ministros do nosso STF (Supremo Tribunal Federal), compulsoriamente, serão afastados da referida corte e substituídos por indicados do candidato que vier a se eleger presidente da República.
Portanto, se nada for feito, teremos o nosso STF absurdamente partidarizado.
A propósito: por que os escândalos do Banco Master e do INSS — os dois mais recentes e escabrosos da nossa história — ainda não foram devidamente julgados e seus comparsas punidos, se ambos surgiram no já distante ano de 2018, ou seja, no governo do presidente Jair Bolsonaro, e permaneceram no governo do presidente Lula, com seus integrantes ainda confiantes de que serão inocentados ou, quem sabe, e no máximo, terão que portar, por poucos anos, as incômodas tornozeleiras eletrônicas? Se o nosso STF precisa estabelecer um código de ética para seus integrantes, que se estabeleça, contanto que o nosso Poder Judiciário não volte a cair nas tentações e no descrédito em que se meteu.
Para continuar existindo como árbitro, e em última instância, o nosso STF não pode tomar posição a favor nem contra nenhum dos nossos partidos políticos e nenhum dos candidatos, a exemplo do que veio a acontecer.
É triste e profundamente lamentável não apenas a tendência político-partidária claramente assumida por alguns dos ministros do nosso STF, mas também seus posicionamentos a favor ou contra determinadas candidaturas.
Enquanto árbitros, nada é mais injustificável.
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