No deserto egípcio existe uma depressão coberta por enormes formações brancas de giz e calcário que se projetam da areia como esculturas naturais e parecem ter sido construídas artificialmente
Antigos depósitos marinhos e milhões de anos de erosão transformaram rochas carbonáticas em torres, pilares e formas semelhantes a cogumelos
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No oeste do Egito, próximo ao oásis de Farafra, o Deserto Branco do Egito apresenta pilares, torres e estruturas em forma de cogumelo esculpidas em rochas carbonáticas extremamente claras. Embora algumas descrições populares falem em “cristais gigantes”, a paisagem é formada principalmente por giz e calcário, rochas ricas em carbonato de cálcio. Essas camadas se acumularam quando a região esteve coberta por ambientes marinhos antigos e foram posteriormente expostas e remodeladas pela erosão.
Grande parte do piso da depressão de Farafra é formada pelo Giz de Khoman, uma unidade sedimentar do Cretáceo Superior. O material possui coloração branca intensa porque é composto principalmente por carbonatos produzidos e acumulados em antigos ambientes marinhos. Estudos geológicos também identificam calcários, folhelhos, dolomitos e outras rochas sedimentares na região.
Fósseis microscópicos encontrados nessas rochas mostram que parte dos sedimentos se depositou quando o atual deserto estava associado a mares que cobriam áreas do norte da África. Ao longo de dezenas de milhões de anos, mudanças no nível do mar, movimentos tectônicos e erosão transformaram esse antigo fundo marinho na paisagem continental observada atualmente.
As diferentes formas aparecem porque as rochas não possuem exatamente a mesma resistência. Camadas mais duras podem permanecer enquanto materiais mais frágeis abaixo ou ao redor são removidos gradualmente. Vento carregado de areia, escoamento de água em períodos mais úmidos, dissolução e intemperismo contribuíram para modificar essas superfícies durante períodos muito longos.
Este registro produzido pelo Geology Page mostra as formações do Deserto Branco perto de Farafra e permite observar como diferentes blocos foram esculpidos sobre a planície desértica.
A própria depressão de Farafra não surgiu exclusivamente pela ação do vento. Estudos indicam participação combinada de água corrente em fases climáticas mais úmidas, erosão eólica, estruturas geológicas e processos de dissolução. Depois que as rochas carbonáticas ficaram expostas, vento e areia continuaram retrabalhando suas superfícies.
Isso ajuda a explicar por que algumas formações desenvolvem bases estreitas. Próximo ao solo, partículas transportadas pelo vento podem produzir abrasão intensa, enquanto camadas superiores mais resistentes permanecem preservadas por mais tempo. O resultado são formas que lembram objetos esculpidos, embora tenham origem inteiramente geológica.
A calcita é um dos minerais fundamentais do calcário e do giz, mas isso não significa que as grandes estruturas visíveis sejam cristais individuais. O Giz de Khoman é uma rocha sedimentar carbonática, formada principalmente por material calcário acumulado no antigo ambiente marinho. Existem preenchimentos cristalinos de calcita em cavidades e fraturas, porém eles são diferentes dos enormes pilares da paisagem.
Essa distinção torna a história geológica ainda mais interessante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.