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Política

Brasil não deve reverter veto à carne até prazo da UE

Poder360 ·
Brasil não deve reverter veto à carne até prazo da UE

Bloco deu até 3 de setembro para país apresentar garantias de que não utiliza antimicrobianos na criação de animais

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Itamaraty não devem conseguir reverter o veto da União Europeia à exportação de carne brasileira até o prazo final estabelecido pelo bloco, que termina em 3 de setembro . A Comissão Europeia avalia se a indústria brasileira segue as regras para o uso de antimicrobianos nos produtos.

No fim de agosto, o Mapa apresentou protocolos e recebeu técnicos europeus para realizar auditorias nos setores de frango e mel. O principal objetivo é fazer com que, ao menos, o Brasil volte à lista de países autorizados a exportar carne de aves para o bloco —o que é considerado pouco provável.

O caso da carne bovina é ainda mais complicado. Como o ciclo de vida do boi ultrapassa 2 anos, o prazo dado pela União Europeia foi considerado insuficiente para avaliar o uso de antimicrobianos no animal. No caso do frango, como o ciclo de vida é mais curto, ainda há possibilidade de reversão da medida no curto prazo.

Um dos pontos de incômodo é que, mesmo com o fechamento do acordo Mercosul-UE, o Brasil não recebeu tratamento condizente com o de um parceiro comercial. A suspensão do país da lista de exportadores autorizados, da maneira como se deu, é vista como pouco alinhada à relação com o mercado europeu.

Agora, o Brasil busca diversificar os mercados para a carne bovina e de aves. Representantes do governo e do setor miram os mercados japonês e sul-coreano, além de buscar a conclusão do acordo Mercosul-Canadá —que está travado nas fases finais justamente por causa do protecionismo do país norte-americano em relação à carne bovina.

Também há a tentativa de negociar as salvaguardas da China em relação à carne e ampliar as cotas brasileiras. Representantes dos 2 países têm mantido conversas sobre o tema.

A medida foi oficializada em 5 de junho e passa a valer em 3 de setembro. A decisão atinge carnes bovina e de frango, além de tripas, peixe e mel.

Apesar de ter retirado o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco, a União Europeia manteve a autorização para os demais países do Mercosul. Argentina, Paraguai e Uruguai constam na lista de países que cumprem os requisitos da União Europeia.

A legislação da UE proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. O bloco afirma que nenhuma carne consumida em seu território pode ter sido produzida com uso de antimicrobianos para fins de crescimento ou rendimento dos animais. O receio é que o uso excessivo desses medicamentos na pecuária acelere o surgimento de bactérias, vírus, fungos e parasitas resistentes aos remédios usados para combatê-los.

Segundo o governo, as exportações brasileiras dos setores afetados para a União Europeia somaram US$ 2,026 bilhões em 2025. Os segmentos de maior exposição foram carne de aves, com US$ 781,4 milhões exportados ao bloco, e carne bovina, com US$ 1,064 bilhão . O ministério afirma, porém, que não há estimativa oficial consolidada do impacto econômico caso o Brasil não reverta a restrição até setembro.

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