Ponte Frei Paolino: MP aponta que risco de erosão já era conhecido antes da obra
O Ministério Público do Estado do Acre instaurou Inquérito Civil para aprofundar as investigações sobre o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. O acidente, ocorrido em junho deste ano, deixou vários feridos e provocou forte comoção no Acre. Entre as vítimas está o advogado Edinei Muniz, que sofreu graves lesões e permanece internado.
A Portaria nº 0020/2026, assinada pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, amplia o foco da investigação e pretende reconstruir toda a trajetória da obra, desde os estudos realizados antes da contratação até o colapso da estrutura. O Ministério Público quer saber se o desabamento decorreu exclusivamente de um fenômeno natural ou se falhas técnicas, administrativas, de execução ou fiscalização contribuíram para o acidente.
Um dos pontos centrais da investigação é justamente a explicação das chamadas “terras caídas”, apontadas como possível causa do desabamento. Segundo o Ministério Público, documentos produzidos antes mesmo da contratação da obra já registravam intensa erosão e fragilidade geotécnica nas margens do Rio Iaco.
A própria portaria cita trechos do projeto elaborado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) que mencionavam “grande erosão no barranco do rio” e recomendavam a implantação de sistema de drenagem, canaletas de concreto e outras intervenções destinadas à estabilização das margens.
Para o Ministério Público, os registros demonstram que o risco não era desconhecido. A investigação deverá esclarecer, portanto, se os estudos realizados foram suficientes e se as soluções de engenharia previstas e executadas eram adequadas para garantir a segurança da ponte diante de uma condição previamente identificada.
Outro documento considerado na apuração é um relatório elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em 2015, que já caracterizava o processo de erosão fluvial na região. Após analisar o material, o Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público concluiu que qualquer reconstrução da ponte deverá ser precedida por estudos geológicos e geotécnicos específicos, afastando soluções consideradas apenas paliativas.
Durante vistoria no local, técnicos do NAT constataram ainda que o processo erosivo continua avançando e alertaram para o risco de novos desmoronamentos, inclusive em áreas ocupadas por moradias próximas às margens do Rio Iaco.
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