O único grupo de vertebrados capaz de pairar continuamente no mesmo ponto também consegue voar para trás e até de cabeça para baixo
Pesquisas revelam como a rotação das asas permite aos beija-flores permanecer suspensos, recuar diante das flores e executar manobras aéreas extraordinárias
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Os beija-flores conseguem permanecer suspensos no ar, voar para trás e executar breves manobras invertidas graças à anatomia especializada de suas asas. Diferentemente da maioria das aves, produzem sustentação nas duas fases do batimento, combinando articulações móveis, músculos potentes e ajustes aerodinâmicos extremamente rápidos.
A família Trochilidae reúne aves encontradas exclusivamente nas Américas, conhecidas pela capacidade de permanecer diante das flores enquanto retiram néctar. Embora outras aves consigam pairar brevemente, os beija-flores são especialmente adaptados ao voo estacionário sustentado.
Essa habilidade resulta de modificações nas articulações dos ombros, na musculatura e no formato das asas. Morcegos nectarívoros também conseguem pairar diante de flores, portanto a exclusividade dos beija-flores deve ser entendida entre as aves, não entre todos os vertebrados.
Durante o voo estacionário, as asas percorrem trajetórias aproximadamente horizontais e giram sobre seu próprio eixo. Essa rotação permite produzir força aerodinâmica tanto no movimento de ida quanto no retorno, mantendo o corpo suspenso enquanto a cabeça permanece relativamente estável.
Para recuar de uma flor, o animal modifica a inclinação corporal e a orientação dos batimentos. Já as posições invertidas aparecem principalmente em manobras rápidas, não representando um voo estacionário prolongado de cabeça para baixo.
O vídeo da National Geographic apresenta imagens em câmera lenta que revelam os movimentos das asas e a precisão dos beija-flores durante o voo.
A sustentação surge da interação entre o movimento das asas e o ar. Ao modificar rapidamente seu ângulo de ataque, o beija-flor consegue gerar forças ascendentes mesmo durante a fase de retorno, algo muito menos pronunciado na maioria das aves.
Os movimentos também produzem vórtices, estruturas giratórias de ar que contribuem para a sustentação. Entretanto, as duas fases não trabalham igualmente: medições experimentais mostram que a batida descendente fornece aproximadamente três quartos do suporte ao peso corporal.
O estudo publicado na revista Nature em 2005 , conduzido por Douglas Warrick, Bret Tobalske e Donald Powers, analisou o voo estacionário do beija-flor-ruivo (Selasphorus rufus). Os pesquisadores utilizaram técnicas de visualização do fluxo de ar para investigar como as asas produzem sustentação.
Os resultados demonstraram que aproximadamente 75% do suporte ocorre na batida descendente e 25% na ascendente. Pesquisas posteriores com câmeras de alta velocidade e modelos computacionais aprofundaram a compreensão das rotações das asas e das manobras executadas pelos animais.
Além de permanecerem suspensos, essas aves conseguem acelerar, frear e mudar rapidamente de direção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.