Avalanche no Himalaia: por que resgate após deslizamento é muito mais complexo do que em terremotos?
Por que resgate no Nepal e no Tibete é mais dificil do que em Brumadinho? Entenda Dias após a avalanche que deixou centenas de mortos e desaparecidos no Nepal e no Tibete, equipes de emergência do Nepal conseguiram socorrer 350 pessoas que haviam se abrigado num túnel em construção de uma hidrelétrica durante a tragédia.
Os sobreviventes tiveram a sorte de encontrar um abrigo antes de serem atingidos pela enxurrada, mas as cenas de resgates dramáticos devem se tornar mais raras daqui em diante. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A atuação das equipes de socorro em grandes deslizamentos é mais complexa do que em terremotos.
E, muitas vezes, há pouco o que se fazer para salvar vidas.
Ao contrário da janela de oportunidade de 72 horas calculadas a partir de terremotos, a expectativa de vida de vítimas de deslizamentos é de menos de 15 minutos, e a maioria dos resgatados com vida são aqueles que se encontram na borda da área do desastre.
É muito provável também que parte dos corpos não seja retirada ou nem mesmo localizada.
Imagens de câmeras de segurança mostram pessoas fugindo enquanto uma avalanche de lama e água destrói prédios em um vale na fronteira entre Nepal e China, em Gyirong , região do Tibete, China MÍDIA SOCIAL/via REUTERS Entenda, a seguir, as dificuldades das equipes de buscas no Tibete e no Nepal, e por que a operação é ainda mais complexa do que nos casos de terremotos: Janela de oportunidade para encontrar sobreviventes praticamente nula No caso de terremotos, as equipes de resgate trabalham num período de 72 horas após a tragédia quase exclusivamente focados em encontrar sobreviventes.
Apesar das dificuldades, vítimas presas em estruturas podem ficar presas em bolsões de ar e até receber água da chuva, a depender das circunstâncias, enquanto aguardam a retirada dos escombros.
Essa janela praticamente inexiste em deslizamentos.
A grande maioria das vítimas é atingida por uma massa de água, lama e detritos, incluindo carros, árvores e até casas.
Poucas estruturas resistem com a vedação intacta, criando as bolhas de ar essenciais para a manter pessoas vivas.
Segundo um estudo publicado na revista científica "Jama" que analisou taxas de sobrevivência em avalanches na Suíça entre 1981 e 2020, as vítimas têm uma janela de 10 a 15 minutos antes de sofrer uma asfixia aguda, sendo que a privação crítica de oxigênio se inicia severamente logo após os primeiros 10 minutos.
Registros de sobreviventes após dias são raros e acontecem quase que exclusivamente na periferia do fluxo de detritos.
E, mesmo que a pessoa esteja abrigada em um local vedado, a sobrevivência é quase nula se ela estiver a mais de seis metros de profundidade, pela dificuldade das equipes chegarem ao estrato em tempo hábil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mundo.