Presidente da CBAt prega cautela com nova geração após Mundial Sub-20
Em entrevista ao OTD, Wlamir Motta Campos falou do desempenho brasileiro no Mundial Sub-20, a mudança da CBAt para São Paulo e muito mais
Parece que foi ontem a medalha de ouro de Alessandro Borges no arremesso de peso , mas o Campeonato Mundial de Atletismo Sub-20 já ficou algumas semanas para trás. Com mais distância para analisar os resultados, Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), fez uma avaliação positiva da participação brasileira, mas pregou cautela ao falar sobre os novos talentos do país, em entrevista ao OTD.
O bom desempenho em Eugene, nos Estados Unidos, com uma medalha de ouro, seis finais e seis semifinais, naturalmente aumenta a expectativa sobre o futuro desses atletas. Mas, para Wlamir Motta Campos, ainda é cedo para esperar que essa geração repita o sucesso já no Mundial de Atletismo adulto do ano que vem, na China.
“Esperar bons resultados dos Sub-20 no próximo mundial é algo um pouco precoce. Temos que ter mais serenidade, o Mundial (adulto) na China, ano que vem será uma competição fortíssima. Acho que nossos atletas podem participar, pensar em disputar semifinais e finais, mas acho que tudo tem que ter seu devido tempo”, revelou Campos.
O salto da base para o alto rendimento, porém, está longe de ser simples. A história mostra que nem todo talento que brilha entre os jovens consegue repetir o sucesso no adulto e o presidente da CBAt deseja evitar isso.
“Já tivemos, no passado, atletas que performaram muito bem nos campeonatos de base e não chegaram no adulto porque foram submetidos a muitos treinamentos e tiveram lesões por esse excesso. Tivemos também algumas exceções, como o Thiago Braz, campeão Sub-20 e depois campeão olímpico, mas é importante respeitar esse processo. Não existe essa pressão. O que existe é um apoio, um estímulo, um incentivo, mas, jamais uma cobrança para um resultado imediato”, afirmou.
Alguns atletas muito importantes para o atletismo brasileiro estão retomando suas carreiras após o tratamento de lesões, como é o caso de Darlan Romani, do arremesso de peso e Izabela da Silva, do lançamento de disco. Para Wlamir Motta Campos, esses atletas seguem sendo fundamentais para a esporte nacional.
“A Iza tem todas as condições de seguir representando o Brasil. Ela fez uma cirurgia pesada, mas já está bem. Conto com ela, tem um potencial gigante. Já o Darlan, dispensa apresentações. É um campeão mundial (indoor). Sabemos das dificuldades das cirurgias e lesões, mas ele está recuperado e voltou muito bem. O projeto dele é ir à Los Angeles 2028 e eu acredito nele com certeza”, ressaltou o presidente.
Além da troca de experiências entre a atual geração e os novos talentos, há atletas de outros países interessados em defender a bandeira brasileira, como Némata Nikiema. Campeã do salto em distância no Troféu Brasil e atualmente representante de Burkina Faso, ela declarou seu desejo em competir pelo Brasil. No entanto, o dirigente da CBAt disse que é um processo que não depende da confederação.
“Por uma questão de ética, nós não podemos convidar uma atleta para se naturalizar. Essa iniciativa tem que partir dela.
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