De tanque com ondas a histórias de família: como '100 Dias' recria travessia a remo de Amyr Klink pelo Atlântico para além do livro
Com estreia marcada para 29 de outubro nos cinemas, o filme 100 Dias , dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança , utilizou um tanque enorme, equipado com máquinas de ondas e de vento, dentro de um estúdio para recriar a maior parte das cenas no mar. O longa revisita a jornada do navegador brasileiro Amyr Klink em alto-mar em 1984, quando se tornou a primeira pessoa a atravessar o oceano Atlântico Sul sozinho em um barco a remo. Ao Terra , o diretor e o ator detalharam os bastidores das gravações.
"Esse filme tem muita coisa de animação, uma animação mais realista, porque a gente tem que criar baleia, tubarão, golfinho. As situações reais que aconteceram com o Amyr a gente teve que criar no mundo virtual. A gente montou um tanque em São Paulo, e quando filmava com o Filipe lá, na máquina de ondas, era tudo azul em volta, então a gente teve que recriar todas essas cenas. E, no mar mesmo, a gente só filmou uma semana. Foi um desafio muito legal de poder fazer, brincar com essa tecnologia", conta Saldanha.
Filipe também revela que precisou usar a imaginação nas cenas dentro do tanque e sentiu que voltou a ser criança durante as gravações. "Eu percebi que eu estava brincando, estava imaginando um mundo que não estava ali. Eu tinha que imaginar as baleias, os golfinhos, o oceano, o céu, as nuvens e tudo. Senti que eu estava voltando a ser criança também, isso foi muito prazeroso, estava existindo um mundo de fantasia ali durante as filmagens, e isso foi muito especial."
Saldanha, o diretor do filme, é consagrado por grandes universos animados e responsável por sucessos como A Era do Gelo e Rio . Ele diz que sempre foi apaixonado pela história de Amyr, o que fez com que sentisse que esse era um projeto ideal para fazer um live-action -- produções que utilizam atores reais e cenários físicos em vez de animações.
"Eu li o livro quando era mais adolescente e sempre fui fã do Amyr, gosto dessa coisa da aventura, da viagem, do mar. E quando me ofereceram a oportunidade de fazer esse filme, achei que, se eu fosse fazer um filme de live-action no Brasil, esse seria um filme perfeito para mim, porque poderia criar o mundo do mar, aquela coisa toda, e, ao mesmo tempo, contar uma história emocionalmente que me pegasse", explica.
Embora a obra cinematográfica seja inspirada no livro Cem Dias Entre Céu e o Mar , escrito pelo próprio Amyr Klink, Saldanha afirma que algumas partes do filme não estão no livro e são frutos de conversas que ele e a equipe tiveram com o navegador, amigos e familiares.
"Quando conversava com o Amyr, queria saber como foi essa cena que ele mergulhou para tirar as cracas do fundo do mar, coisas técnicas, como que fazia para dar nó, e ele explicava para gente, para o Filipe, como é que ia no banheiro. Essas coisas, a gente tinha curiosidade porque não está no livro, e algumas entraram na história", comenta.
"Mas a parte emocional dele, da família, da mãe, do pai, do irmão, essas coisas não estão totalmente no livro. Isso eu consegui inserir na história através das conversas não só com o Amyr, mas também com os amigos e a família dele. Foi muito legal isso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.