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A favela que vota: 2026 e o direito de permanecer

UOL Notícias ·
A favela que vota: 2026 e o direito de permanecer

Dizer que a favela finalmente chegou ao centro do debate político brasileiro já não é exatamente uma novidade.

O que as eleições de 2026 escancaram, porém, é algo mais profundo do que a inclusão de uma pauta social nos palanques. O Censo de 2022 do IBGE mostrou a dimensão real do que estamos discutindo: 16,4 milhões de brasileiros vivem em mais de 12 mil comunidades urbanas. Isso representa 8,1% da população do país.

Por isso, o verdadeiro debate de 2026 não deveria ser sobre o que fazer "com a favela". Mas sim, que modelo de cidade permite que quem já vive nesses lugares tenha o direito de permanecer, prosperar e participar da definição do próprio futuro?

Não estamos falando de um problema à margem da cidade, esperando ser corrigido por algum programa habitacional. Estamos falando de uma parte importante da própria vida urbana brasileira, da força de trabalho, do consumo, da cultura e da produção econômica do país.

E é justamente aí que começa o problema. Quando observamos os projetos que disputam o eleitor em 2026, fica evidente que a política brasileira não está falando da mesma favela.

Para alguns, ela é uma carência estrutural que precisa de integração estatal. Para outros, um território dominado pelo crime que precisa ser retomado pela força. Há quem defenda que a própria favela precisa deixar de existir como modelo de moradia. E há quem enxergue nesses territórios um grande polo de empreendedorismo e capitalismo popular.

A disputa, portanto, não é apenas sobre políticas públicas. É sobre qual cidade queremos construir e, principalmente, sobre quem terá o direito de permanecer nela.

O modelo apresentado por Lula, parte de uma ideia que considero fundamental, a favela é cidade.

A aposta no Periferia Viva, com urbanização, saneamento, regularização fundiária, contenção de encostas e investimentos continuados, reconhece que esses territórios não podem continuar tratados como exceções urbanas. Também existe uma compreensão importante sobre cultura e tecnologia. Levar conectividade para as periferias e fortalecer a produção cultural significa reconhecer que inclusão digital e identidade também fazem parte do direito à cidade.

Mas, como alguém que vive e trabalha nesses territórios, preciso trazer para a análise, essa integração, sozinha, resolve a exclusão econômica?

O Estado brasileiro tem uma característica conhecida por quem vive na periferia, chega muitas vezes tarde, de forma burocrática e, não raramente, decidindo pelo território sem ouvir quem está nele.

Uma obra de infraestrutura pode transformar uma rua. Um programa social pode aliviar uma dificuldade. Mas isso não significa, necessariamente, criar mobilidade social.

Integrar a favela à cidade formal sem oferecer acesso real a tecnologia, qualificação, crédito, empreendedorismo e geração de renda é como pavimentar a rua e continuar mantendo as portas do mercado fechadas.

Já Flávio Bolsonaro parte de perspectiva diferente e propõe outras abordagens.

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