Livro analisa artes gráficas da histórica editora José Olympio
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Nascido em Batatais, no interior de São Paulo, José Olympio ainda não tinha completado 18 anos quando conseguiu um emprego na seção de livros da tradicional Casa Garraux, na capital paulista. No final da década de 1910, era o encarregado de limpar as estantes, entre outros afazeres.
Tomou gosto pela vida de livreiro e virou balconista. Em 1931, abriu sua própria loja na cidade e, no ano seguinte, editou seu primeiro livro. Surgia a Livraria José Olympio Editora .
Transferiu o negócio para o Rio de Janeiro, onde ampliou o número de publicações. As vendas cresciam, o prestígio também. Em 1937, o Anuário Brasileiro de Literatura, uma publicação voltada para o mercado editorial, referiu-se a José Olympio como "o maior editor nacional".
Entre os primeiros autores da editora, estavam Rachel de Queiroz e José Lins do Rego . Mais tarde, Carlos Drummond de Andrade , Graciliano Ramos , Guimarães Rosa, Jorge Amado e um longo etc. Não há como pensar na literatura do país no século 20 sem considerar a José Olympio, casa que hoje integra o grupo Record.
A reunião dos principais romancistas, poetas e cronistas da segunda fase do modernismo brasileiro consagrou a editora, mas não só. Havia, desde o início do projeto, um cuidado gráfico incomum para a época. As capas da José Olympio se tornaram "o símbolo da renovação incorporada ao gosto do público", escreveu o crítico Antonio Candido em 1989.
Os projetos visuais das três primeiras décadas dessa trajetória são o tema do recém-lançado "Padrões e Variações - Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora", da editora e designer Carla Fernanda Fontana. Ao longo de cinco anos, ela pesquisou quase 2.500 edições, além de documentos e reportagens sobre essas publicações.
Além do livro, uma exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), na USP , apresenta uma seleção de capas, ilustrações, esboços e artes-finais. A curadoria também é de Fontana.
Um dos protagonistas do livro e da mostra da BBM é o artista paraibano Tomás Santa Rosa, que foi do Nordeste para o Rio de Janeiro, então capital do país, em um percurso semelhante ao de diversos autores do catálogo da editora.
Santa Rosa ficou muito associado ao universo gráfico da José Olympio graças ao requinte visual das suas criações e à presença constante nas capas –nos 22 anos em que esteve ligado à editora, preparou quase 300 layouts.
"Ele soube traduzir visualmente a literatura daquela época. Era próximo de todos esses escritores, eles conviviam no Rio", diz Fontana. Entre seus amigos, estavam Lins do Rego e Jorge Amado.
Em "Roteiro de Arte", livro de 1952, Santa Rosa indicou como seria uma capa ideal. Deveria ter "um título sóbrio, legível, bem distribuído de modo a cobrir o espaço visual com clareza e propriedade". Abominava o "colorido gritante".
Alguns achados da pesquisa redimensionam a produção de Santa Rosa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ilustrada.