O que acontece quando você usa inseticida contra escorpião? Veja o perigo
Ao encontrar um desses animais, a reação imediata de muitos moradores é recorrer a sprays, mata-baratas ou outros produtos químicos. A aplicação, porém, nem sempre resolve o problema.
Usar inseticida contra escorpiões pode ter o efeito contrário ao esperado e aumentar o risco de acidentes dentro de casa. Dependendo do produto e da forma de utilização, os animais podem sair desses abrigos e procurar áreas não atingidas pela pulverização.
[O uso de químicos] pode prejudicar, principalmente quando usado de forma indiscriminada ou sem orientação técnica. Alguns produtos podem desalojar os escorpiões de seus esconderijos e aumentar sua movimentação, fazendo com que apareçam em locais onde antes permaneciam escondidos, o que pode aumentar o risco de acidentes Matheus Viola Fernandes, biólogo e especialista em pragas, ao UOL
Embora inseticidas consigam matar exemplares atingidos diretamente ou suficientemente expostos, isso não significa que sejam capazes de eliminar uma infestação. A eficácia depende, entre outros fatores, do produto, do modo de aplicação e do contato com o animal.
Ministério da Saúde não recomenda aplicação indiscriminada. O principal documento técnico brasileiro sobre o assunto é o Manual de Controle de Escorpiões, publicado pelo Ministério da Saúde há mais de 15 anos. Nele, a utilização de produtos de higienização doméstica, inseticidas, raticidas, mata-baratas ou repelentes dos grupos dos piretroides e organofosforados com a finalidade de combater escorpiões não está entre as indicações.
O manual expõe que os escorpiões podem permanecer escondidos durante longos períodos. Eles ficam em frestas de paredes, redes de esgoto, rachaduras, caixas, papelões, pilhas de tijolos, telhas e madeiras. Esses abrigos impedem que o produto entre em contato com os animais.
As substâncias químicas, segundo o órgão, podem desalojá-los e fazer com que procurem áreas não atingidas pela aplicação, assim como avalia o biólogo. Outra consequência é a falsa sensação de proteção, levando os moradores a acreditar que o problema foi resolvido e a abandonar cuidados essenciais com o ambiente.
"O agente de saúde não deve realizar nem recomendar ao proprietário do imóvel a aplicação de produtos químicos", pontua o Ministério da Saúde. O manual também alerta que pulverizações destinadas ao combate à dengue, malária, leishmaniose, doença de Chagas e outros agravos podem elevar a probabilidade de acidentes em áreas infestadas. Isso pode ocorrer em razão do efeito irritante dos produtos, do desalojamento e da eliminação de fontes de alimento e de predadores.
As baratas estão entre as principais fontes de alimento dos escorpiões em áreas urbanas. Reduzir a presença desses insetos, portanto, é uma das medidas recomendadas para tornar o ambiente menos favorável à infestação.
Em locais onde já foram encontrados escorpiões, o Ministério da Saúde orienta que o controle de baratas seja feito com formulações em gel ou pó. O procedimento deve ser executado por profissionais de empresas especializadas.
Matheus Viola Fernandes ressalta que o enfrentamento do problema não deve ficar restrito aos inseticidas.
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