EUA e China não disputam a mesma corrida
Na terça-feira, 8 de setembro, a OpenAI anunciou ter resolvido um dos problemas mais célebres da matemática.
As equações de Navier-Stokes, do século 19, descrevem como a água e o ar se movem, e há quase cem anos ninguém consegue provar se, em certas condições, elas deixam de funcionar, com a velocidade do fluido disparando para o infinito.
Desde 2000, o Instituto Clay oferece 1 milhão de dólares pela resposta.
A empresa afirma ter provado que, sob a ação de uma força externa, essa ruptura acontece.
O trabalho levou 88 horas e mobilizou até 10 mil agentes de inteligência artificial.
A prova ainda não foi verificada, o instituto promete avaliá-la sem pressa, e ela pode não parar de pé.
Mas um detalhe da história já é fato, e é ele que interessa a quem investe: o trabalho foi feito por um sistema interno, que nenhum cliente pode usar.
Leia de novo: um dos feitos mais comentados do ano em inteligência artificial saiu de uma máquina que não está à venda.
Em julho, escrevi neste espaço que Estados Unidos e China constroem a mesma tecnologia com máquinas econômicas opostas.
Os americanos financiam a IA como produto, que precisa devolver capital a investidores; os chineses, como infraestrutura pública, que não precisa.
Numa guerra de preços, argumentei, o fôlego mais longo é de quem não precisa de retorno.
Continuo achando a assimetria verdadeira.
Mas Navier-Stokes me obriga a corrigir a premissa.
Tratei as duas máquinas como se disputassem a mesma corrida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.