Os descontos explosivos no turismo nos países do Golfo que sentem baque da guerra do Irã
Depois de décadas e vultosas somas de dinheiro, países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) se firmaram como destinos turísticos seguros em meio às constantes tensões geopolíticas do explosivo Oriente Médio.
Mas aí eclodiu a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, seis meses atrás, e as bases americanas fincadas nesses oásis (ou nem tanto) de estabilidade foram alvejadas, assim como alguns cartões-postais vastamente visitados por lá.
É verdade que não houve nenhuma baixa civil, nem o estrago se fez permanente, mas imagens como a do aeroporto de Dubai fechado depois de ataques em nada ajudaram na permanente campanha para atrair gente para aquele naco de deserto abundante em luxo.
Ao contrário: o fluxo de forasteiros, que costumava lotar hotéis de formatos exóticos e centros comerciais com direito até a pista de esqui, minguou de uma hora para outra.
Pois de uns tempos para cá, com o conflito ainda sem desfecho, porém sem os bombardeios diários de antes, as engrenagens da indústria turística voltaram a girar.
E dá-lhe promoções e pacotes convidativos para que aquelas areias retornem ao mapa dos viajantes.
Recentemente, o governo de Dubai, o mais vistoso emirado dos EAU, lançou a campanha Dubai Invite, que agracia com benefícios na casa dos 4 000 reais, entre estadias em hotéis e descontos em restaurantes, os moradores que conseguirem levar para lá parentes e amigos até o fim de outubro.
Não se passaram nem 48 horas, e 10 000 dubaienses se inscreveram.
Também ali um pacote de sete dias, com passagem aérea e hospedagem incluídas, está saindo na casa de 9 000 reais, 3 000 a menos do que no cenário pré-conflito.
No icônico Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, que abriga um hotel não cinco, mas seis estrelas, as diárias caíram 20% — o mesmo abatimento concedido por grandes redes, como Hilton e Millennium, com unidades espalhadas por todo o Golfo.
ESTÁ BARATO - Liquidação em shopping: preços de outlet ./Divulgação A tesourada nos preços tem o objetivo de reverter a queda na taxa de ocupação dos quartos — de 84% antes da guerra, ela recuou para o atual patamar de 30%, segundo a plataforma CoStar.
Já nos shoppings repletos de grifes internacionais, uma mania nacional, as vitrines exibem preços de outlet (26 reais uma calça na Nike).
Caminhando para o tradicional mercado de ouro e especiarias, os vendedores se mostram mais maleáveis do que o usual na exaustiva arte da negociação.
“Consegui comprar um conjunto de colar e brincos de ouro por cerca de 4 000 reais, bem mais barato do que no Brasil”, conta a corretora de imóveis Pamela Schneider, 27 anos, que acaba de voltar.
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