Desertificação do solo avança no Brasil e ameaça cerca de 39 milhões de pessoas
Quando se fala em desertificação, a imagem que vem à cabeça costuma ser a de grandes dunas sem vida, como o deserto do Saara.
O conceito técnico, no entanto, é outro: trata-se do processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde gradativamente a capacidade de reter água e sustentar a vida vegetal e animal.
Esse desgaste do solo é provocado por uma combinação de fatores humanos, como o desmatamento e a agricultura inadequada, com as variações do clima.
No Brasil, o problema afeta diretamente cerca de 39 milhões de pessoas — incluindo agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e diversas comunidades tradicionais.
Atualmente, cerca de 18% do território nacional é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação, segundo a Agência Brasil .
O fenômeno se concentra principalmente nos nove estados do Nordeste, mas também se estende por trechos do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, nordeste do Rio de Janeiro e noroeste do Mato Grosso do Sul.
Leia mais: O que os terremotos podem ensinar sobre a força dos furacões El Niño: chance de fenômeno forte nos próximos meses salta para 95% Como a NASA monitora o clima na Terra Os números da expansão e a situação crítica da Caatinga O avanço da degradação nos últimos anos é expressivo em termos territoriais.
Crescimento da área afetada: Entre 2000 e 2020, o território atingido pela desertificação no país passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados.
Esse aumento de 170 mil km² equivale ao tamanho dos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas somados.
Surgimento de área árida: Em 2023, mapeamentos do Cemaden e do Inpe identificaram a primeira região árida do Brasil, cobrindo 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia.
Situação da Caatinga: É o bioma que registra o cenário mais grave.
Cerca de 11% de sua extensão (100 mil km²) está em situação crítica e severa, e 42,6% da vegetação nativa já foi retirada.
O papel do bioma no equilíbrio do clima Apesar do nível de degradação, pesquisas mostram que a Caatinga desempenha um papel central na regulação climática.
Um levantamento do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) com universidades parceiras apontou que o bioma tem uma eficiência de 58% no aproveitamento de carbono.
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