Presidente do Banco do Brasil e sindicato trocam acusações de misoginia e má administração
Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A presidente do Banco do Brasil , Tarciana Medeiros , e o Sindicato dos Bancários de Brasília protagonizam disputa inédita entre a instituição estatal e o representante dos trabalhadores. A executiva notificou extrajudicialmente a entidade trabalhista ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) , exigindo publicação de resposta a uma matéria que criticava sua atuação à frente do banco. No texto, advogados do BB afirmam que ela sofreu misoginia e xenofobia .
O aspecto político, de acordo com pessoas ouvidas pela coluna, é a ruptura entre a direção do BB e um dos principais sindicatos bancários do país, sob um governo de esquerda e ligado às centrais sindicais.
A crise começou em maio, em publicação do Espelho DF, jornal classista. Em tom de sátira e de cordel, a edição questionava a ampliação de jornada de trabalho, os descomissionamentos, a cobrança de metas, o adoecimento de funcionários e a redução de atendimento presencial que teriam acontecido no banco sob a administração de Tarciana. A capa usava a expressão "mainha" para se referir à presidente, nascida na Paraíba. Um recurso que o sindicato afirma ser legítimo como forma de crítica à dirigente e que ela própria já usou o termo para se referir a si mesma.
A reação do Banco do Brasil foi enviar notificação extrajudicial. No texto, os advogados da estatal classificam o conteúdo como falso, incompleto e descontextualizado. Afirmaram também que o uso da palavra "mainha" várias vezes significava uma desqualificação de gênero associada a estereótipo nordestino, tratando-se de misoginia e xenofobia. O documento também cita injúria, difamação, uso indevido do nome, da marca e da imagem de Tarciana.
O sindicato nega todas as acusações. Em resposta, sustenta que a crítica era apenas à atuação administrativa da executiva, e não a atributos pessoais como gênero e origem. A entidade também falou do seu histórico de combate à misoginia, ao machismo e à xenofobia e disse que o Banco do Brasil buscava mudar o debate, que seria sobre as denúncias de falta de pessoal, sobrecarga de trabalho e fechamento de guichês.
Apesar de contestar, o sindicato publicou o texto da presidente em seu site. Segundo a instituição, isso teria acontecido por espírito democrático e compromisso com a pluralidade de opiniões.
Em sua carta, Tarciana defende as decisões da gestão e afirma que "não existe banco forte sem sustentabilidade econômica" e que o Banco do Brasil "precisa ser cada vez mais digital sem abandonar quem ainda precisa do atendimento presencial".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Mercado.