“Washington Post” fala em “perseguição” a Flávio após fuga
O jornal norte-americano “ The Washington Post ” publicou, na 4ª feira (28.out.2026), um editorial em que critica o que chama de “ perseguição ” à família do candidato derrotado nas eleições, Flávio Bolsonaro (PL).
No texto “ When judges become prosecutors ” (“ Quando juízes se tornam promotores ”, em português), a publicação, de propriedade do empresário Jeff Bezos, atrela a fuga de Flávio do Brasil a possíveis excessos do judiciário e o temor de uma prisão iminente.
O conselho editorial argumenta que as investigações criminais contra Flávio, por possível lavagem de dinheiro, podem ser justificadas, mas diz que os poderes acumulados pelo Supremo Tribunal Federal comprometem a credibilidade do sistema jurídico do país.
O Post dedica parte do texto a criticar a atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O jornal afirma que juízes brasileiros “ frequentemente atuam como investigadores, promotores e julgadores ”.
Segundo o editorial, Moraes se vale de investigações sobre desinformação e possíveis ataques à democracia para exercer controle sobre contas individuais e plataformas digitais, como o X.
O Post cita ainda a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que, por conta de sua trajetória, ele deveria “ mais do que ninguém ” compreender os perigos de uma Corte discricionária.
“ Os princípios do devido processo legal que protegeram Lula não perdem a importância quando o acusado se chama Bolsonaro “, afirma.
O jornal conclui que o Brasil realizou eleições competitivas no domingo (25.out) e disse que Flávio “ deveria estar se preparando para liderar a oposição, não se instalando no sul da Flórida ”.
O editorial conclui citando brevemente a recusa de Flávio em aceitar a vitória de Lula: “U ma democracia saudável precisa de perdedores que aceitem a derrota e de um sistema de justiça no qual possam fazê-lo com segurança ”.
ENTENDA Na 3ª feira (27.out), Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil por se sentirem ameaçados por eventuais decisões de Moraes.
O senador é investigado em 2 inquéritos que tramitam no Supremo —todos eles por crimes comuns e não políticos.
Na 2ª feira (26.out), a PF intimou Flávio a entregar seus passaportes, por determinação de Moraes.
O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial.
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