Aposta frustrada em vitória de Flávio Bolsonaro derruba cotas de fundos
O estresse pós-eleitoral deixou um rastro de perdas para os fundos de investimentos, em especial para as carteiras de ações.
Muitos gestores se anteciparam a um cenário pró-corte de juros sob a premissa de que Flávio Bolsonaro (PL) venceria a disputa e promoveria um ajuste fiscal.
Como o mercado antecipa o que se projeta para o futuro, as fichas estavam sendo colocadas em ações que potencialmente se beneficiariam de juros mais baixos, em especial as companhias voltadas para a economia doméstica, mais dependente de juros.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pegou os gestores de surpresa, deixou esse cenário um pouco mais nebuloso e, com isso, as posições foram desfeitas.
Levantamento feito por Rafael Paschoarelli, professor de finanças do departamento de administração da USP, dá uma dimensão do estrago.
Numa lista com três dezenas de fundos, as perdas oscilaram entre 20,1% e 33,8% num único dia.
Os multimercados também sofreram, com desvalorização na casa dos 20% para algumas carteiras macro.
Quedas nas cotas de fundos em estresse pós-eleitoral Arte / Valor O especialista não fez uma segregação do que havia nos fundos de ações, mas aponta que as empresas “small caps”, de menor capitalização na bolsa, lideraram o banho de sangue na segunda-feira.
Magazine Luiza, Vamos e Hapvida tiveram, por exemplo, desvalorização na casa dos 55%.
C&A, Cosan, Cyrela, Assai e MRV caíram mais de 40%.
Localiza, Cogna, Yduq, Azzas, Lojas Renner, B3 e Smart Fit recuaram mais de 30%, e por aí vai.
No conjunto, a queda na segunda consumiu os ganhos recentes e deixou a conta negativa no ano.
Ele observa que, nos últimos 20 anos, nunca houve uma variação tão grande na curva de juros de dez anos.
A taxa foi de 12,74% para 15,13% ao ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.