Transplante pediátrico: como funciona a espera por um novo órgão e os desafios do tratamento
Foram 545 dias de internação até Pedro Mathias, de 5 anos, voltar para casa. Nesse período, ele precisou usar um coração artificial enquanto aguardava um novo órgão. Diagnosticado ainda durante a gestação com uma doença cardíaca grave, Pedro enfrentou cirurgias logo nos primeiros dias de vida.
O transplante foi realizado em fevereiro de 2026, depois de uma longa espera por um coração compatível. A história dele mostra os desafios da jornada do transplante pediátrico, que envolve a cirurgia, mas também o diagnóstico, a espera por um órgão e o acompanhamento médico ao longo da vida.
“Saber que existia um coração compatível parecia um sonho. Graças à doação de uma família em meio a sua maior dor, Pedro voltou a ter infância e hoje brinca como toda criança merece”, conta a mãe, Juliana Mathias.
O transplante é indicado quando uma doença compromete de forma grave o funcionamento de um órgão e os tratamentos disponíveis já não são suficientes. Na infância, os transplantes mais realizados são os de rim, fígado, coração e pulmão.
As causas variam conforme o órgão e podem incluir condições congênitas, hereditárias ou adquiridas. Algumas são identificadas ainda durante a gestação ou nos primeiros anos de vida, enquanto outras surgem ou se agravam ao longo da infância.
“O transplante pediátrico evoluiu muito, com melhores técnicas cirúrgicas, métodos de diagnóstico, medicamentos imunossupressores e equipes cada vez mais especializadas. Mas transplantar uma criança não é simplesmente fazer um transplante em um paciente menor: é um procedimento de alta complexidade, que exige acompanhamento por anos”, explica Clotilde Druck Garcia, nefrologista e coordenadora do Departamento de Transplante Pediátrico da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Antes de entrar na lista de espera, a criança passa por uma avaliação especializada. A definição de quem recebe um órgão não depende apenas da ordem de inscrição. São considerados o tempo de espera, a urgência do caso e a compatibilidade entre doador e receptor, além de características como tamanho e peso, dependendo do órgão.
Em alguns casos, o transplante pode ser realizado com a doação de uma pessoa viva. Isso é possível principalmente nos transplantes de rim e fígado, desde que sejam atendidos critérios médicos que garantam a segurança do doador e do receptor.
“Um dos principais problemas acontece antes mesmo de a criança chegar à lista de transplante. Muitas crianças chegam tardiamente aos centros transplantadores. Isso pode ocorrer por dificuldade de diagnóstico, pelo reconhecimento tardio da gravidade da doença ou pela dificuldade de encaminhamento para um centro especializado”, afirma Garcia.
Depois de entrar na lista, a criança segue em tratamento enquanto aguarda um órgão compatível, com o objetivo de controlar a doença e manter o quadro o mais estável possível.
Garantir o diagnóstico e o encaminhamento das crianças aos centros especializados no momento adequado é fundamental.
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