O SUS está preparado para a próxima pandemia?
Em 2023, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), fez um alerta: uma nova pandemia não é questão de “se”, mas de “quando” .
No ano seguinte, a OMS divulgou uma lista de patógenos considerados prioritários pelo risco de provocarem futuras epidemias. Nela, estão ameaças já conhecidas, como os novos coronavírus e o vírus da gripe aviária. Mas também há um inimigo anônimo: o Patógeno X , nome dado a um agente biológico desconhecido que, caso surja, poderá ter alto potencial de disseminação.
No Brasil, país que acumulou 716 mil mortes por covid-19 , a preocupação é ainda mais intensa. A pandemia escancarou a necessidade de um processo estruturado de vigilância epidemiológica e trouxe mudanças significativas na forma que o Sistema Único de Saúde (SUS) encara a prevenção de um surto .
A covid-19 não foi a primeira emergência em saúde que o Brasil já enfrentou. Antes dela, tivemos a epidemia de zika vírus em 2015, a pandemia de H1N1 em 2009, e várias outras. Nesse período, ainda que menos robusto, o sistema público de saúde já contava com um esquema de controle de doenças .
Por mais que o termo “vigilância epidemiológica” remeta a um laboratório, a detecção de um novo surto começa na atenção primária. É o profissional da ponta , como o agente comunitário de saúde, o médico de família e o enfermeiro do postinho que percebem quando algo foge do padrão.
Uma doença que se manifesta de forma mais grave, o aumento repentino no número de casos ou uma enfermidade que começa a afetar uma faixa etária diferente da habitual são algumas das mudanças sutis que criam suspeita.
Se o profissional observar algo que chame a sua atenção, ele deve notificar a vigilância epidemiológica o mais rápido possível de forma que a investigação seja iniciada.
O principal responsável por essa investigação é o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) . Hoje, existem 190 unidades do CIEVS, presentes em todos os estados e capitais do país, além de alguns municípios estratégicos, como os que ficam em fronteiras e têm maior circulação de pessoas.
Através do Epidemic Intelligence from Open Source (EIOS) , um sistema desenvolvido pela OMS, o CIEVS é capaz de detectar todas as fontes abertas de informação que estão circulando no mundo, inclusive publicações em mídias digitais, e integrá-las às notificações recebidas para identificar eventos de risco.
Esses eventos, inclusive, podem acontecer entre animais . Em Minas Gerais, a detecção de mortes de macacos nos municípios de Claro dos Poções e São João do Pacuí em agosto deste ano acendeu o alerta para a possibilidade de um surto de febre amarela . Rapidamente, o CIEVS informou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que reforçou as ações de prevenção e vigilância contra a doença no norte do estado, evitando a contaminação humana.
“Como essa detecção é feita continuamente, 24 horas por dia, e as equipes do serviço trabalham diariamente, inclusive nos fins de semana, isso permite a detecção precoce, a emissão do alerta e, frequentemente, a tomada de decisão imediata .
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