Candidatas petistas em MG registram denúncias por ameaça de morte e estupro
Duas candidatas a deputada federal e uma a deputada estadual do PT registraram boletim de ocorrência por ameaças de morte e estupro em um intervalo de uma semana em Minas Gerais. As denúncias foram encaminhadas à Polícia Federal e também são investigadas pelo Ministério Público Eleitoral do estado por violência política de gênero.
Bella Gonçalves (PT), Ana Elisa Silva (PT) e Andréia de Jesus (PT) registraram as denúncias entre 5 e 11 de setembro. Há semelhanças entre as ameaças, recebidas por email. Nelas, o autor se apresenta como integrante de um grupo supremacista branco e expõe dados pessoais das candidatas e de suas famílias, demonstrando saber como encontrá-las a qualquer momento. Elas acreditam que os ataques são sincronizados e que foram combinados em chans (fóruns de discussão online baseados no anonimato), alguns deles na deep web.
"O fato de haver nossos dados pessoais circulando entre grupos de ódio na internet é muito grave", diz Bella. Hoje deputada na ALMG ( Assembleia Legistativa de Minas Gerais), ela recebeu emails em 5 de setembro. "São ataques que tiram nosso foco da campanha para gastarmos tempo e dinheiro com proteção e segurança. Isso desestimula mulheres a serem candidatas e a entrarem na política, e geram danos psicológicos que agravam a condição de pressão e machismo que as mulheres naturalmente já sofrem ao serem candidatas", afirma.
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Dias depois, na madrugada de 8 de setembro, o comitê central da campanha de Bella em Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo. A placa da candidatura foi arrancada, segundo a equipe dela. Um boletim de ocorrência foi registrado no dia 9.
Deputada estadual em campanha pela reeleição, Andréia recebeu ameaças no período entre 1º e 11 de setembro. Para ela, trata-se de "tentativas de intimidar e silenciar nossos corpos, nossas vozes, nossa presença". "Isso tem um impacto emocional e econômico, já que aumentamos nossos gastos com segurança privada. Nossas famílias se preocupam, acham que não devemos continuar", diz. Ela afirma já ter recebido mais de 4.000 ameaças e ataques racistas desde que foi eleita, em 2018.
Ana Elisa, que recebeu os emails em 5 de setembro, é estreante na política. A equipe dela afirmou que "ameaçar uma mulher para tentar fazê-la desistir de uma eleição é crime contra ela e contra o direito de quem quer votar nela". "Aqui não admitiremos", disse em nota.
Casos são investigados pela PF e pelo MPE-MG. Em nota, o MPE lamentou os episódios e disse que "atua de forma integrada com a Polícia Federal para apurar os fatos, responsabilizar os autores e adotar as medidas necessárias para tentar coibir novas ações de intimidação e garantir a segurança do processo eleitoral". Procurada, a PF informou que "não confirma nem se manifesta acerca de eventuais investigações em andamento".
TRE-MG afirma que o Gabinete Integrado de Segurança das Eleições acompanha de perto as investigações.
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