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'Minha esperança está nos discos voadores', diz Lobão após desilusão com esquerda e direita bolsonarista

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'Minha esperança está nos discos voadores', diz Lobão após desilusão com esquerda e direita bolsonarista

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Lobão , 68, é categórico: não tem qualquer expectativa de que por meio da política o Brasil possa ter um futuro melhor. "A minha esperança está nos discos voadores, no disclosure [movimento que acredita que ocorrerá uma revelação pública sobre a existência de vida extraterrestre]. Quero saber se os ETs vão chegar."

O apoio à eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 foi sua última tentativa. Segundo o músico, o posicionamento ali era uma "atitude rock n'roll". "As pessoas se esquecem que eu estava contra o sistema, um sistema que estava há 16 anos no poder, com um monte de corrupção e uma tirania enorme."

Assim como afirma ter dado uma chance histórica ao PT , "mesmo sem ser petista", no fim dos anos 1980 e nos anos 1990 —quando até cometeu crime eleitoral por cantar " Lula -lá" ao vivo no Domingão do Faustão —, Lobão diz que agiu de forma generosa ao apoiar uma direita que pensava ser nova. "Havia alguns intelectuais no grupo em quem eu tinha a maior esperança, mas vi que não, a coisa era tosca mesmo."

Chegou então à decisão de nunca mais fazer campanha. "É a coisa mais pentelha e chata. Você sente uma vibração horrorosa, as pessoas te odeiam. É tudo muito feio, cafona, de muito mau gosto. E não funciona porque são as mesmas figuras caindo aos pedaços. Não há renovação."

Nas eleições de outubro deste ano, diz que não vai votar, postura que, apesar dos apoios políticos da última década, revela adotar "há mais de 30 anos". "Me recuso a gastar meu HD, minha gasolina, meu tempo para quiçá anular o meu voto." O desalento não é só com a política. Para o músico, o "ser humano existencialmente" não evoluiu "um milímetro sequer" ao longo de sua existência.

"É muito importante perceber isso, porque você vai entender que as ideologias só levam a gente a entrar em guerra, a ter matança, a [dar espaço para] pavões que ficam nos palanques. Você tem todo um caldo de comportamento que é imutável, cara. Para que vou ficar dando trela para isso?", questiona.

Curiosamente, "Ideologia", um dos grandes sucessos de seu amigo Cazuza , é uma das faixas que Lobão vai cantar neste domingo (23) no festival C6 no Rock , no Ibirapuera, em São Paulo. A escolha, diz, não foi dele, mas da direção musical do evento.

Lobão afirma ter "um certo receio de levantar esse tipo de poeira" do "Fla x Flu ideológico". Revela também que chegou a comentar com Cazuza que não era muito fã da música e que ouviu do cantor e compositor que ele também achava a canção "horrível".

"Porque ideologia é uma coisa que encolhe a sua cabeça. Se você pega uma ideologia, tudo bem que não será cancelado, tem um grupo que vai te aceitar, mas você encolhe existencialmente porque uma ideologia é uma cartilha de conduta e aí de você se, em um determinado momento da sua vida, pensar [algo diferente disso]."

Lobão conta que preferia cantar "O Tempo Não Para", mas aceitou a sugestão de "Ideologia" pelo "bom andamento do serviço" e para não ser "aquele cara difícil".

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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