BEEF3, JBSS32 e MBRF3: Safra vê apenas uma ação ganhando com suspensão de tarifa de Trump
A suspensão temporária de tarifas dos Estados Unidos sobre a importação de carne bovina moída pode trazer um vento favorável aos frigoríficos brasileiros, mas o Safra enxerga a medida como especialmente positiva para a Minerva Foods ( BEEF3 ) — justamente a única ação do setor para a qual o banco mantém recomendação de compra .
Na avaliação do banco, a medida é ligeiramente positiva para a Minerva e neutra para JBS ( JBSS32 ) e MBRF (MBRF3) .
Entre os três frigoríficos, a Minerva é também a única com recomendação de compra pelo Safra, com preço-alvo de R$ 5,50 . Para a JBS, o banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 77 , enquanto a MBRF também possui indicação neutra , com preço-alvo de R$ 19 .
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citados pelo Safra, o consumo norte-americano de carne bovina gira em torno de 13,3 milhões de toneladas , sendo aproximadamente 20% atendidos por importações.
As 300 mil toneladas contempladas pela suspensão equivalem a cerca de 11% das importações de carne bovina dos Estados Unidos , considerando os 12 meses encerrados em junho de 2026, e a aproximadamente 2% do consumo doméstico.
Apesar de não enxergar um impacto estruturalmente relevante, o Safra avalia que a medida representa um vento favorável para os frigoríficos sul-americanos, especialmente os brasileiros.
Atualmente, a Austrália responde por cerca de 26% das importações norte-americanas de carne bovina , enquanto o Brasil detém uma fatia próxima de 16% . A diferença, segundo o banco, está justamente no tipo de produto contemplado pela medida.
Como a suspensão se concentra na carne bovina moída , os frigoríficos brasileiros estariam mais bem posicionados para aproveitar a abertura. A Austrália, por outro lado, costuma direcionar aos Estados Unidos cortes de maior valor agregado.
Para dimensionar o potencial, as 300 mil toneladas correspondem a 9,2% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil e a cerca de 55% da diferença entre o volume enviado pelos frigoríficos brasileiros à China em 2025 e a cota estabelecida pelo país asiático para 2026 .
Mesmo que o Brasil não capture integralmente o volume adicional liberado pelos Estados Unidos, o Safra avalia que a mudança ainda teria um efeito líquido marginalmente positivo para os frigoríficos brasileiros.
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