O Estado que os candidatos de 2026 não sabem soletrar – parte 1
Uma pesquisa da Quaest, divulgada em 14 de agosto, perguntou qual era a maior preocupação dos brasileiros.
Seguindo a tendência de pesquisas anteriores , a violência apareceu em primeiro lugar, com 33%, à frente da economia, com 15%, e da corrupção e da saúde, ambas com 14%.
O aumento da preocupação da população com a violência ocorre apesar da melhora de diversos indicadores de segurança pública nos últimos anos.
Conheça o JOTA PRO Eleições, cobertura eleitoral especial do JOTA que oferece transparência e previsibilidade para empresas Dentre esses indicadores, observamos uma queda da taxa de homicídios no Brasil, conforme estimativas oficiais.
Dados do Datasus apontam que, em 2024, foram registrados 39.946 óbitos por agressão (CID-10 X85-Y09), o menor número da série histórica, conforme ilustra o gráfico abaixo: Taxa de homicídios no Brasil (1996-2024) Fonte: elaboração própria a partir do Datasus De forma semelhante, estimativas recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que as mortes violentas intencionais caíram 8,2% no Brasil em 2025 em relação ao ano anterior.
Contudo, enquanto muitos indicadores apresentaram uma melhora, alguns pioraram.
Por exemplo, o feminicídio, tipificado desde 2015 como o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição do sexo feminino, bateu recorde histórico em 2025, com 1.470 ocorrências.
Da mesma forma, dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública indicam que a média anual de mortes decorrentes de intervenções do Estado entre 2020 e 2024 foi de 6.205.
Isso equivale a 17 mortes por dia ao longo de cinco anos consecutivos.
Os dados que apontam para o agravamento desses crimes têm sido coletados e divulgados de forma mais ampla nos últimos anos.
Esses indicadores demonstram a importância de avaliações sistemáticas e de capacidade de coordenação para entender melhor e buscar formas de superar os desafios que o Brasil tem enfrentado na segurança pública.
Junto a outros fatores que se retroalimentam , como inclinações político-ideológicas e discursos que seguem a lógica do “populismo penal”, esses dados nos ajudam a entender melhor por que a segurança pública figura entre os principais temas das eleições de 2026.
Como argumentamos , esse cenário favorece respostas políticas que prometem resultados rápidos para problemas complexos, uma característica recorrente do “populismo penal”.
Quando observados em conjunto, esses fatores expõem outro problema frequente do debate político-eleitoral sobre o tema: tanto políticos em exercício quanto candidatos à Presidência, ao governo dos estados e ao parlamento ainda tratam o combate à violência e outras questões de segurança pública como uma responsabilidade quase exclusiva dos estados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.