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Mulheres no coco de roda: apresentando Mestra Rita Pavone, zabumbeira de Barra de Camaratuba, em Mataraca (PB)

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Mulheres no coco de roda: apresentando Mestra Rita Pavone, zabumbeira de Barra de Camaratuba, em Mataraca (PB)

A coluna tem por objetivo comunicar narrativas, memórias e práticas culturais e interculturais em torno de processos pedagógicos e psicossociais – considerando a intersecção de raça, gênero e sexualidade – da Comunidade Colaborativa Afro-Ameríndia – COCAM/RECOSEC/UFPB, sob orientação e coordenação da professora Luz Santos em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas E’LEEKO/UFPel/UFRGS. A COCAM (antiga RECOSEC) é um projeto que existe desde 2012 e segue como princípios: práticas colaborativas, educação popular, o diálogo interepistêmico e a educação para o Bem Viver. Visa construir e desenvolver ações inter e transdisciplinares relacionadas à assessoria e incentivo à promoção de políticas com foco na educação intercultural, nos municípios da região do Vale do Mamanguape e em outras regiões do Brasil.

Usar a palavra “apresentando” é quase uma audácia de minha parte se tratando da personalidade já tão posta no mundo que é Mestra Rita Pavone, a zabumbeira da cidade de Mataraca, litoral norte da Paraíba.

Tive a honra de conhecê-la no ano de 2023, durante a primeira edição do Festival Garapirá – Encontro de Coco de Roda e Ciranda dos Indígenas Potiguara da Paraíba. Na ocasião, Rita participou da roda de conversa com anciães e anciões e nos contou um pouco sobre sua relação com o coco de roda.

“Eu quase nasci numa roda de coco, porque minha mãe era coquista velha. Entendeu? Agora eu não conheci os mestres da minha mãe. Então minha mãe comprou um zabumba pra mim, eu tinha seis anos de idade, comecei a tocar […]”, conta Mestra Rita Pavone, no documentário Garapirá , que foi filmado durante o primeiro festival e lançado em 2024.

Coquista é quem puxa o canto do coco de roda. Nessa parte, existe a pergunta vinda de quem puxa a toada e a resposta vinda do coro de brincantes ou dos tocadores.

“[…] Minha mãe morreu tinha 106 anos. Antes dela adoecer, ela ainda dançava um coco de roda que era uma beleza do mundo. Então, foi o livro que minha mãe me deu, foi isso que eu aprendi e continuo. E eu acho que vou morrer numa roda de coco, viu? Porque onde eu vejo um zabumba bater, eu corro as léguas atrás, só pra tocar o meu zabumba…”, disse Mestra Rita Pavone, no documentário Garapirá .

Filha de Dona Maria Francisca, Rita com a herança deixada por sua mãe trilhou seus primeiros passos no litoral norte paraibano.

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