“Queremos a inclusão de medicamentos orais na saúde suplementar”, afirma Valderílio Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia
Novo presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Valderílio Azevedo analisa a saúde e o acesso no Brasil
A falta de acesso aos melhores tratamentos ainda é uma barreira na saúde, e isso não ocorre apenas no Sistema Único de Saúde (SUS). É o caso da artrite reumatoide. Enquanto a rede pública oferta oito produtos biológicos, com moléculas-alvo específicas, além das medicações tradicionais, na saúde suplementar, o acesso a medicamentos orais com moléculas-alvo específicas continua difícil, já que não foram incorporados ao rol de cobertura dos planos de saúde como no SUS.
Com esse exemplo, o pesquisador Valderílio Azevedo ilustra as diferenças entre a saúde pública e suplementar e os desafios para doenças reumatológicas no Brasil. Recém-eleito presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), ele falou ao Futuro da Saúde sobre esse e outros temas, como a ampliação dos biossimilares no Brasil e as propostas da sua gestão.
Uma delas envolve incluir medicamentos orais nos planos de saúde e propor negociações conjuntas com o Ministério da Saúde. “Estamos trabalhando nessa defesa da incorporação de algumas moléculas alvo-específicas na saúde suplementar, a exemplo do SUS. Através da nossa Comissão de Políticas Públicas, vamos agendar uma conversa com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para discutir essas questões. Queremos que isso seja feito de uma forma que garanta essa equidade no sistema, mas que também não onere demais e venhamos a ter algum gap econômico-financeiro no sistema”, afirma o médico.
Segundo ele, a ideia é trabalhar em conjunto com outras entidades representativas, como Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), e entidades governamentais, de forma mais propositiva, “no sentido de aperfeiçoar regulamentações e leis, em benefício de pacientes com doenças reumatológicas”.
Em relação aos biossimilares, Azevedo avalia que o Brasil avançou significativamente na incorporação desses medicamentos, que hoje já são utilizados por milhares de pacientes. Para ele, a recente atualização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre intercambialidade trouxe mais respaldo a esse uso na prática clínica. No entanto, é possível avançar mais. “É preciso uma política mais assertiva para mostrar que os biossimilares representam um caminho importante para a sustentabilidade dos sistemas de saúde”, afirma. Nesse sentido, defende a realização de campanhas de informação e conscientização para ampliar a confiança nesses medicamentos.
Valderílio Azevedo – Uma das pautas em que temos trabalhado é a equidade entre a saúde suplementar e o sistema público. Já existe uma diferença natural entre os dois sistemas, porque muitos produtos incorporados ao SUS por meio dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs) demoram mais do que o esperado para chegar aos pacientes da saúde suplementar. Embora atualmente também devam ser incorporados em até 60 dias, os custos são diferentes. No SUS, o governo negocia com volumes maiores e consegue condições mais favoráveis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.