Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez
Marco histórico foi confirmado pelo Tesouro americano em meio a juros mais altos e impasse político sobre o orçamento
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassoua marca de US$ 40 trilhões , segundo comunicado do Departamento do Tesouro americano. O valor representa aumento de cerca de um terço em menos de cinco anos, período no qual legisladores do país não avançaram em medidas para conter os déficits fiscais .
O patamar anterior, de US$ 30 trilhões, havia sido alcançado em janeiro de 2022, o que evidencia o ritmo acelerado de endividamento do governo americano nos últimos anos. Segundo o comunicado do Tesouro, não há sinais de desaceleração nesse processo.
Na quinta-feira anterior, o leilão de títulos de 30 anos resultou na venda mais cara desse tipo de papel em 25 anos. Um dia antes, o leilão de títulos de dez anos havia registrado o maior custo de financiamento da categoria desde 2007.
Com dois meses ainda restantes no ano fiscal, os gastos do governo com juros somam US$ 1,17 trilhão em 2026 , alta de 15% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Essa despesa já é a terceira maior do Orçamento federal, atrás apenas de saúde e Previdência Social.
O crescimento da dívida ocorre enquanto republicanos rejeitam propostas de aumento de impostos e os dois principais partidos evitam cortes em benefícios de saúde e aposentadoria, temas politicamente sensíveis. Segundo economistas, o Congresso e o governo tendem a agir apenas diante de uma turbulência nos mercados financeiros.
Para Matthew Luzzetti , economista-chefe para os Estados Unidos do Deutsche Bank AG, “cruzar limites como o de US$ 40 trilhões focará a atenção no problema no curto prazo. Mas isso não representa um limite mágico para a dinâmica da dívida, e as projeções já antecipavam esse resultado há algum tempo” .
A Fitch Ratings estima que o teto legal da dívida, fixado em US$ 41,1 trilhões, será atingido em meados de 2027 . A agência manteve, em 13 de agosto, a nota de crédito AA+ dos Estados Unidos, mas alertou para riscos crescentes ligados ao envelhecimento populacional e à falta de medidas fiscais consistentes.
Michael Peterson , presidente da Peter G. Peterson Foundation, avaliou que o novo patamar “prejudicará a acessibilidade cotidiana em todo o país se não controlarmos nossa dívida. O endividamento excessivo contínuo colocará pressão de alta sobre os custos dos juros, o que tornará as hipotecas, financiamentos de veículos e faturas de cartão de crédito de todos ainda mais caros” .
O montante total da dívida engloba tanto os títulos do Tesouro negociados no mercado quanto obrigações intragovernamentais, como recursos do sistema de Previdência Social aplicados em papéis emitidos especificamente para esse fim.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.