Raízen (RAIZ4) reduz foco em etanol, prevê normalização de margens e mantém expansão seletiva de postos
A Raízen ( RAIZ4 ) começou a direcionar uma parcela maior da produção para o açúcar, após privilegiar o etanol no primeiro trimestre da safra 2026/27. Ao mesmo tempo, a companhia espera uma normalização das margens no negócio de distribuição de combustíveis nos próximos trimestres, embora ainda em patamares superiores aos observados na temporada passada.
As sinalizações foram dadas pelo CEO da companhia, Nelson Gomes, nesta sexta-feira (14), durante teleconferência de resultados. O executivo também afirmou que o corte nos investimentos da divisão de distribuição não significa uma freada nas renovações de contratos ou na expansão da rede de postos.
“Não estamos deixando de renovar nenhum tipo de contrato, muito pelo contrário. Aceleramos algumas renovações”, afirmou Gomes.
No primeiro trimestre da safra 2026/27, os investimentos da distribuição de combustíveis somaram R$ 153,1 milhões, queda de 21,9% ante os R$ 196,1 milhões registrados um ano antes.
Segundo o CEO, a redução do capex reflete principalmente uma mudança no equilíbrio entre os investimentos realizados no momento da renovação ou assinatura dos contratos e aqueles feitos ao longo da vigência dos acordos.
A Raízen continua buscando crescimento em volume e número de postos, mas mantém uma estratégia de expansão seletiva, priorizando os pontos considerados mais atrativos.
“Nós não vamos fazer embandeiramentos de qualquer posto. Nós vamos fazer os melhores embandeiramentos disponíveis”, disse.
No negócio de distribuição de combustíveis, Gomes afirmou que as margens registradas no primeiro trimestre da safra não devem se repetir nos próximos períodos.
Parte relevante do desempenho foi favorecida por um efeito geopolítico temporário, com instabilidades internacionais e dificuldades de suprimento beneficiando pontualmente as margens da distribuição. Esse efeito, segundo o executivo, começou a perder força em julho e não deve ser considerado recorrente.
“Eu não vejo, daqui para a frente, a repetição das margens que tivemos neste trimestre. Eu vejo que elas serão melhores do que as margens que vimos no ano passado”, afirmou.
Apesar da esperada normalização, Gomes apontou fatores que considera estruturais para sustentar uma rentabilidade melhor, entre eles as eficiências internas da companhia e a melhora do ambiente regulatório.
Segundo ele, medidas de combate a fraudes e à sonegação vêm contribuindo para a recuperação das margens dos agentes regulares do setor. “Tem uma melhoria gradativa do ambiente”, disse.
No segmento de açúcar e etanol, a Raízen já começou a alterar seu mix de produção, reduzindo a participação do biocombustível em favor do açúcar.
“Nesse momento, já começamos a direcionar a nossa produção um pouco menos para o etanol e um pouquinho mais para o açúcar”, afirmou Gomes.
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