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Memórias do Mar do Sul da China

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Memórias do Mar do Sul da China

A imigração chinesa no Brasil começou quase um século antes da japonesa, com homens contratados para trabalhar em lavouras de chá, muitos dos quais mais tarde se tornariam comerciantes ou trabalhadores braçais.

Como eram quase todos homens, tiveram que assimilar a cultura local e só podiam se casar com as mulheres disponíveis no Brasil, já que trazer alguém de tão longe sairia caro demais.

Naquela época só podia se casar quem era batizado na igreja católica.

E o registro de batismo exigia um nome cristão.

Com isso, os primeiros chineses no Brasil ou não tiveram descendência, ou seus filhos, ao se casarem com brasileiras, perderam gradualmente os vínculos culturais com a China.

Já a história dos chineses nas Filipinas, país que, assim como o Brasil, foi colonizado por cristãos ibéricos, teve outro rumo: mesmo os que adotaram nome cristão e se naturalizaram filipinos conseguiram preservar seu legado chinês.

Os Chineses nas Filipinas Estudos arqueológicos e documentos históricos apontam o início do contato entre chineses e as Filipinas por volta do final da Dinastia Tang (618-907), muito antes da chegada dos colonizadores espanhóis em 1521.

Já a relação do governo colonial espanhol, entre os séculos XVI e XIX, com os chineses foi ambígua: em diversos momentos ele favoreceu os imigrantes vindos da China porque ofereciam habilidades e serviços dos quais a colônia precisava, mas também houve massacres e expulsões, como em 1603 e 1639.

Os chineses, por sua vez, eram atraídos pelo comércio lucrativo gerado pela rota do Galeão de Manila-Acapulco.

Um desses imigrantes chineses foi Go Bon Tiao, nascido na província de Fujian, que migrou para as Filipinas em 1860, quando o porto de Cebu foi aberto ao comércio internacional.

Sua integração com a sociedade local o levou a adotar o nome cristão Pedro e o sobrenome do seu padrinho de batismo, Mariano Singson, tornando-se conhecido como Don Pedro Singson Gotiaoco.

Repare bem: Gotiaoco.

Ao contrário do Brasil, onde o imigrante chinês adquiria um sobrenome português e ponto final, nas Filipinas ele adotava, além de um sobrenome europeu, um segundo sobrenome adaptado de seu nome chinês: Go Tiao deu origem a Gotiaoco.

Dessa forma a ancestralidade chinesa foi preservada e enriqueceu a lista de sobrenomes tipicamente filipinos.

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